A quarta reportagem do Estrelas Apagadas, constatou que algumas estrelas precisam de espaço para brilhar, outras ganham o espaço, só que se apagam por si mesmas. O apagão acontece quando o deslumbramento, a imaturidade e o desequilíbrio emocional entram em campo com mais intensidade do que o talento do jogador. Dar a volta por cima. É isso que tem em mente o ex-jogador do Uberaba Sport Club, Argemiro Brant Ramos. Com 20 anos, o meia-atacante tem muitas histórias para contar. Algumas felizes, outras nem tanto. O jogador, que iniciou a carreira no Atlético da Abadia, passou pelo Atlético Paranaense, Bahia, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira Sub-15. A sua passagem pela seleção é motivo de orgulho; lá esteve no grupo com o eterno Zagallo e Dentinho, atual jogador do Corinthians. Durante os quatro anos e meio que esteve no Paraná, Argemiro construiu uma imagem, que hoje deseja apagar da memória, tanto sua como dos dirigentes e treinadores de outros clubes. Sua infantilidade, motivo da demissão do Atlético Paranaense, interferiu também na sua passagem pelo seu time do coração, o Uberaba Sport. “Pegaram muito no meu pé, por causa do meu passado, pelo que fiz no Atlético. Eu tinha algumas atitudes de moleque e isso chegou aqui. Por exemplo, todo jogador sai, mas se saísse o Danilo e eu, a bronca era maior comigo. Nunca deixei de treinar, nem chegar atrasado nos treinos eu chegava, e sempre era mais cobrado que qualquer outro jogador”, conta. Para Sônia, mãe do jogador, que ainda considera Argemiro um menino, a sua saída precoce de casa, aos 11 anos, impossibilitou que o jogador pudesse aprender certas responsabilidades, e a ausência do pai pode interferir psicologicamente nas suas atitudes. “Eu nunca ganhei um parabéns do meu pai, no meu aniversário”, declara o atleta. O contrato com o USC venceria em novembro, mas um acordo entre o clube e o jogador, deu por encerrado já em agosto; uma escolha de Argemiro, que queria fazer a sua reversão para o Campeonato Amador, onde realizou algumas partidas defendendo a Merceana. “O Amador é muito diferente, o campo é menor. Mas a Merceana não se classificou por incapacidade nossa mesmo (jogadores). Infelizmente, a gente não conseguiu”, disse. Para 2010, Argemiro disse que uma conversa com o gerente de futebol, Marcelo Araxá, pode resultar na sua ida para o Araxá Esporte. “Eu conversei com ele (Marcelo) e já está tudo certo. Nada formalizado, mas de acordo com o Marcelo, no dia 3 de janeiro, devo estar em Araxá para fazer a minha apresentação”. No entanto, se as negociações com a cidade vizinha não se acertarem, o jogador diz que um empresário pode fechar a sua contratação com algum time do interior de São Paulo, e independente de ser em Araxá ou em São Paulo, Argemiro sabe exatamente o que fazer. “Vou trabalhar muito em qualquer clube que conseguir jogar. Quero mostrar que posso dar a volta por cima e voltar a jogar no Uberaba Sport, sem imagem ruim e mágoas”, completa. Uma coisa é certa, a carreira de um jogador de futebol não está relacionada, apenas, com o que ele faz em campo. Na maioria das vezes, o que é feito fora das quatro linhas pesa muito mais para o seu sucesso e reconhecimento. Argemiro sabe disto e ele, que já se julga velho no mundo do futebol, deseja, agora, ter disciplina e competência para continuar fazendo o que sabe, se possível no seu apaixonante Colorado.