Ao recusarem conceder entrevista sobre a saída de Vagner Love do Flamengo, o presidente Eduardo Bandeira de Mello e o atacante deixaram a impressão de que o pronunciamento feito na Gávea na manhã de ontem foi uma manobra ensaiada. Sem responder perguntas, ambos mostraram desconforto ao falar sobre o rompimento. O jogador deu a entender que não gostaria de sair do clube. Disse estar de “coração na mão” por conta da decisão de aceitar a oferta para voltar ao CSKA. Segundo o mandatário e o atleta, ela foi tomada em conjunto.
Principal expoente do time na última temporada, Love deixa o Flamengo insatisfeito e sentindo-se de mãos atadas. O processo até a saída irritou profundamente o Artilheiro do Amor. Na noite de sexta-feira houve uma reunião tensa em um dos quartos do hotel Windsor, que serve de concentração para a delegação rubro-negra durante a pré-temporada no Rio de Janeiro. Trancados, o diretor executivo Paulo Pelaipe, Vagner Love e o empresário Evandro Ferreira discutiram os trâmites da rescisão.
Em janeiro de 2012, sob condução do ex-vice de finanças Michel Levy, o Flamengo aceitou pagar em quatro parcelas, € 10 milhões (R$ 27 milhões na cotação atual) pelos direitos econômicos do atacante. Ao longo do ano passado, os russos receberam € 4 milhões (R$ 10,8 milhões).
Atolada em penhoras e com quase todas as receitas deste ano comprometidas, a nova diretoria não resistiu ao flerte do CSKA, que começou em agosto e se intensificou após o Réveillon. O ex-clube de Love acenou com uma proposta simples: “esquecer” os € 6 milhões (R$ 16,2 milhões) pendentes para a conclusão do negócio e ter o jogador de volta. Além disso, fez uma proposta salarial vantajosa ao artilheiro.
O Flamengo disse a Love que não teria como arcar com a dívida com o CSKA. No acordo entre os clubes, o saldo deveria ser quitado até 2014. O Rubro-Negro também tinha uma dívida com Vagner. Ele recebia um salário de cerca de R$ 500 mil. Os pagamentos de luvas e de R$ 1,2 milhão de direitos de imagem estavam atrasados. Diante do quadro que via pela frente, a atual diretoria procurou o atacante e também deixou claro que não teria como pagá-lo. Love se viu com apenas uma opçã sair do clube. Ele abriu mão da maior parte do débito referente aos direitos de imagem – o Flamengo se comprometeu a quitar o débito restante.