O Flamengo não vai renovar os contratos dos atletas olímpicos vinculados ao clube, com exceção dos praticantes de remo, por determinação do estatuto, e dos jogadores de basquete, cuja equipe tem patrocínio próprio. A medida afeta diretamente três dos principais nomes da ginástica olímpica brasileira: os irmãos Diego e Daniele Hypólito e Jade Barbosa. A decisão foi motivada por falta de recursos no orçamento aprovado para o ano de 2009, declarou o presidente do clube Márcio Braga, em entrevista à reportagem. “Eu não tenho como manter todos os esportes do clube somente com os recursos do futebol. Se nós não obtivermos financiamento de ordem pública ou outro qualquer, nós não temos condições de manter esses atletas remunerados.” Os irmãos Hypólito, assim como o pai de Jade, César Barbosa, dizem que ainda não foram oficialmente informados sobre a decisão do clube. “Todas as notícias que eu recebi foram pelo jornal, mas sei da situação do Flamengo, que já vem de anos com alguns problemas financeiros. Eu lembro desde 2001 das pessoas dizendo que iam acabar os esportes olímpicos do Flamengo”, disse Diego, hoje à tarde, antes de treinar no ginásio do clube. Os três continuam treinando no Flamengo normalmente e dizem não ter intenção de trocar de clube. Mas não escondem a insatisfação por não terem sido procurados pelos dirigentes para tratar do assunto. Eles têm falado só com a vice-presidente de esportes olímpicos do clube, Patrícia Amorim, que, segundo eles, está procurando uma solução para que os contratos sejam renovados. A reportagem tentou falar com Amorim durante todo o dia de hoje, mas ela não esteve no clube, nem respondeu aos telefonemas até às 19h de hoje. Segundo a assessoria de imprensa do Flamengo, só ela poderia responder sobre os cortes no orçamento e qual será o montante destinado aos esportes olímpicos em 2009. Diego acredita que a situação será contornada. Segundo ele, “o contrato nunca é ajustado em janeiro e fevereiro”, mas fez uma crítica geral à gestão do esporte olímpico brasileiro. “Empresas, clubes, confederações, eu acho que eles apoiam, mas, mesmo assim [eles], têm que tentar administrar [o esporte olímpico] para não sofrer tantas crises, porque, se existe a crise no esporte, ele acaba.” Márcio Braga credita ao sistema de repasse de verbas do Comitê Olímpico Brasileiro, que é destinado às confederações, e não aos clubes formadores, a crise que se abateu sobre os esportes olímpicos do Flamengo. Por meio de sua assessoria de imprensa, o COB disse que “não vai polemizar com o Flamengo via imprensa”. Profissionais ligados à ginástica não descartam a chance de que Diego, Daniele e Jade deixem o clube, mas veem na atitude de Márcio Braga uma maneira de atrair atenção da mídia e, consequentemente, de patrocinadores.