Vinte e seis anos, seis meses e oito dias. Esse foi o tempo em que o grito eufórico e emocionado do título brasileiro ficou engasgado na garganta de cada um dos milhões de tricolores espalhados por todo o Brasil. Mas ontem, 5 de dezembro de 2010, Conca, Mariano, Fred, Washington & Cia., comandados por Muricy Ramalho e sob a estrela do mais novo herói, Emérson, o Sheik, autor do gol da vitória por 1 x 0 sobre o Guarani, decretaram, num Engenhão espremido por mais de 40 mil torcedores, que as cores que agora mandam no futebol brasileiro são o verde, o grená e o branco.
A festa do pó de arroz está de volta. A torcida grita, com toda força, que o Fluminense é tricampeão brasileiro, lembrando a Taça de Prata conquistada em 1970. Para a CBF, ao menos por enquanto, é bicampeão. Mais importante, no entanto, é que ficou com o troféu quem mais o mereceu.
Fora de campo, os méritos vão todos para o competente técnico Muricy Ramalho. Tricampeão brasileiro pelo São Paulo, ele conquista agora o tetra pelo Fluminense e se aproxima do maior vencedor da competição, Vanderlei Luxemburgo, hoje no Flamengo.
Gol do título. Demonstrando muita ansiedade no banco de reservas, Muricy Ramalho fez sua primeira alteração aos 9 minutos. Washington, mesmo com seu longo jejum de gols, foi festejado pelas arquibancadas ao entrar no lugar de Julio César, que sentiu uma contusão. Logo em seguida, o Cruzeiro buscou a igualdade e deixou a torcida aflita. Por pouco tempo. Aos 16 minutos, Carlinhos abriu espaço pela esquerda e cruzou. A bola passou por Washington na primeira trave e ficou com Emérson, que não perdoou, marcando o gol do título.