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A ideia de que os campeonatos nacionais europeus são previsíveis até é justa, mas na Inglaterra aos poucos isso está mudando. Desde 2011/12 são cinco campeões diferentes – Manchester City, Manchester United, Chelsea, Leicester e Liverpool – e times mais “modestos” constantemente conseguem boas posições e vagas para ligas europeias.
Em 2020/21 o exemplo máximo disso foi o West Ham, que era cotado para cair e acabou na sexta posição. Uma das estrelas da campanha foi Jesse Lingard, que chegou do Manchester United na metade da temporada e teve um desempenho incrível. Durante conversa com o time do site de aposta esportiva Betway, Lingard elogiou a estrutura do clube londrino e o trabalho do treinador David Moyes, que também passou pelo United.
Se dessa vez foi o West Ham antes já tinha sido o Sunderland, Wolverhampton e sempre há o exemplo do Leicester, talvez a maior surpresa do futebol europeu nas últimas décadas. Por que está acontecendo essa mudança?
O Liverpool segue sendo forte, o Manchester United idem. Mas é sintomático que tanto United como Arsenal, forças dominantes do futebol inglês no início da década passada, não vençam o título inglês há um bom tempo.
A explosão nos valores dos direitos televisivos permitiu que até times sem tanta tradição pudessem ter carteira para comprar bons jogadores em qualquer país. O Watford, por exemplo, chegou com 12,5 milhões de libras para comprar o atacante Richarlison do Fluminense. Menos de um ano depois ele foi vendido por 45 milhões de libras para o Everton.
Ao mesmo tempo as equipes começaram a ser compradas por magnatas de todas as partes do mundo. Arsenal, Manchester United e Liverpool têm donos americanos, o City do Oriente Médio, o Leicester da Tailândia e a lista continua. As carteiras cheias também fizeram da Inglaterra um destino para os melhores talentos do mundo. A Inglaterra se abriu
Quem ver vídeos do futebol inglês dos anos 70 e 80 pode até se divertir com o nível de futebol praticado na Inglaterra. Não é que era de baixa qualidade porque os times venciam, inclusive internacionalmente, mas o estilo de jogo bruto, dependente do jogo aéreo, sem dribles e com campos lamacentos é completamente diferente do que vemos hoje.
A Premier League demorou para se abrir e por isso chegou a ficar atrás até da Serie A italiana e a La Liga espanhola no quesito estrelas. Isso mudou na última década e dá para notar por causa dos futebolistas brasileiros. Por anos a Inglaterra tinha poucos brasileiros, mas hoje há Alison, Firmino e Fabinho no Liverpool, Gabriel Jesus, Ederson e Fernandinho no City, Fred no Manchester United, Willian no Arsenal e muitos mais.
Se em campo a Premier League é globalizada, nos bancos mais ainda. É difícil ver um técnico inglês no comando de um time da primeira divisão. O Manchester United tem um norueguês, o Liverpool e o Chelsea com alemães, o City com um espanhol e a lista segue. O citado West Ham pelo menos não foi longe: Moyes é escocês.
Isso não quer dizer que os treinadores ingleses sejam ruins, mas que há muito a aprender com profissionais do mundo inteiro e essa troca de informações permitirá o surgimento de novas cabeças inglesas. O treinador Gareth Southgate, da seleção, é bem credenciado e nomes como Michael Carrick e Wayne Rooney devem ter oportunidades maiores nos próximos anos. Apesar de não ter ido bem em seu segundo ano no Chelsea, ainda pode voltar e Steven Gerrard tem resultados impressionantes no Rangers da Escócia.
Todas essas mudanças transformam a Premier League em um show de se acompanhar todos os fins de semana, com o que há de mais moderno no futebol e uma imprevisibilidade que se não é completamente insana, pelo menos permite alguma mudança de forças e ascensões e quedas de um ano para o outro. O fã de esportes com certeza está gostando disso, já que a liga e seus clubes não param de crescer ao redor do mundo e os times vencem também no cenário europeu, tendo feito duas finais inglesas nos últimos três anos.