Sempre tive o pensamento de que o futebol é um jogo capaz de mexer com diversas camadas da sociedade...
Sempre tive o pensamento de que o futebol é um jogo capaz de mexer com diversas camadas da sociedade. O jogador de futebol começa realmente sua carreira quando atinge idade entre os 16 e 21 anos. Ou seja, neste intervalo, ele está disputando as categorias de Juvenil e, logo em seguida, a de Juniores. Sempre veremos um amigo lamentar e questionar, dizendo que “o futebol foi injusto com fulano. Ele merecia uma oportunidade e esta lhe foi negada. Hoje, quem sabe, poderia estar atuando e sendo útil a uma equipe”. Também é comum escutar que a diretoria não soube dar o devido valor e o treinador, talvez para não perder o emprego, aceita ser influenciado, alijando com a carreira de um garoto que poderia ser vitoriosa. Isto é injusto. É, sim. Questiono se é justo você ligar a televisão ou ler nos jornais a crônica esportiva de Belo Horizonte, falar e escrever para todo o país que o Cruzeiro só não venceu o jogo diante do Uberaba Sport porque o gramado do Uberabão estava em péssimas condições. Qual o motivo desta aberração? Será que todos nós, presentes naquela tarde do sábado de carnaval, estávamos cegos? Para que tamanha injustiça com um moço como o diretor da autarquia do estádio, Marcelo Rossetti, que dedica o seu dia-a-dia àquele local? Será que aqui cabe a pergunta “e se o gramado estivesse ‘bom’, o Cruzeiro venceria?” Será que a bola chutada pelo Biro Gomes não bateria na trave; iria direto para fora; ou talvez ela, ao bater na trave, poderia voltar, pegar nas costas do goleiro Andrey e entrar, culminando com o gol a favor do USC? E no gol do Ivonaldo, o que aconteceria? Isto é justo? Não. Não, é. É injusto com toda a imprensa de uma cidade como Uberaba, que faz parte de uma camada de nossa sociedade. Filmiano, é justa a seguinte situaçã Já se passaram dez dias e onde estão os valores do borderô do jogo contra o Cruzeiro, para que você possa compará-los como os do jogo contra o Villa Nova? Será que a Federação Mineira já teria desvendado esse mistério, se fossem Cruzeiro ou Atlético solicitando tais valores? Será que essa mesma Federação faz justiça, deixando os torcedores, que, além de torcerem, querem ver os lucros das rendas ajudando o USC a saldar suas dívidas, ainda com esperanças de não perder o patrimônio do clube, o estádio Boulanger Pucci? Caso esta perda se concretize será uma injustiça com o USC, que perde sua moradia e nunca mais será o time do “alto das Mercês”. Isto é justo? Não. É injusto. Meu amigo Waltinho, o futebol nos prega muitas situações durante nossas vidas. Falo de você, o Waltinho, eterno camisa número 7 do USC. Por ser mais novo do que você, tive o prazer de vê-lo jogar em Boulanger Pucci. Você jogava de uma maneira diferente, já naquela época. Quantas vezes eu vi você, quando o seu USC atacava pelo lado do gol da entrada, ir ao fundo e colocar a bola na cabeça do Luizinho, o qual só tinha o trabalho de cabecear e depois lhe abraçar, comemorando o gol. Lembro-me de um gol seu na inauguração do Mineirão. Sua convocação foi motivo de orgulho para o USC e toda a cidade de Uberaba. Para mim, foi orgulho de, pelo menos, ter jogado uma vez ao seu lado, naquele trágico confronto entre USC e Nacional, onde saímos vencedores nas cobranças de pênaltis. Waltinho, como você sabe, as pessoas passam e o clube fica. E existem pessoas que ferem nosso amor próprio. E todos nós, nacionalistas, sabíamos que naquela tarde de domingo você queria derrotar pessoas e não o seu amado USC, pois não precisava mostrar para mais ninguém – mesmo assim mostrou para a multidão de torcedores presentes em BP – que foi lá, em BP, que você aprendeu a ser um jogador e homem honrado pelo resto de sua vida. Escrevo isso com convicção e certeza. Disse sem medo de errar à sua companheira, quando ela me perguntou: “O Waltinho era tudo isso que falam?”. Respondi: “Sim. E, para mim, foi excelente como jogador e como homem. Tanto que a senhora, como eu, sabemos que ele é justo. Mas, o futebol foi injusto com ele, pois ele merecia mais por tudo o que fez pelo USC, como jogador e atleta”. Waltinho, João José, Luizinho, Tati e Carlos Alberto. Esta era a linha de frente do USC. Residem hoje na cidade, Tati e você, Waltinho. Será que algum dos dois tem guardado em meio aos seus pertences algo de “bons serviços” prestados ao USC? Com a palavra as torcidas Exército Vermelho e Furacão Colorado, para mostrar que o resultado de uma partida de futebol pode ser injusta após os noventa minutos. Mas, existem atletas e homens como vocês dois que, no meu entender, torcedores, diretores, imprensa, enfim, todos nós, temos que prestar a verdadeira homenagem e justiça. Abraços a todos!