A ideia do técnico, apoiado por dirigentes do futebol do país, como o diretor de seleções Juan Carlos Oblitas, foi também dar chances aos mais jovens
Divulgação/FPF
Ricardo Gareca mudou postura dos jogadores da seleção peruana dentro e fora de campo
Uma das primeiras coisas que Ricardo Gareca pediu, ao assumir o cargo de técnico da seleção peruana, foi que os jogadores não colocassem a mão na cintura durante as partidas. Para ele, isso passa ao adversário a imagem de cansaço. O técnico argentino fez o Peru voltar a ser relevante no continente sul-americano apoiado na mudança de mentalidade dos jogadores. "Do talento deles nunca tive dúvidas. Todo mundo sabe, na América do Sul, que o jogador peruano tem técnica", disse o comandante dos rivais brasileiros na final da Copa América, neste domingo.
O que havia de habilidade era escasso na disciplina. Atrasos nas apresentações, por exemplo, eram comuns. Era esse tipo de postura que o treinador queria mudar. Gareca acreditava que mais disciplina faria o atleta peruano acreditar mais no próprio potencial. Isso terminaria com mais vitórias em campo. Tentou varrer da mente dos jogadores a frase repetida no país de que o Peru tem um lindo futebol, mas perde sempre.
A ideia do técnico, apoiado por dirigentes do futebol do país, como o diretor de seleções Juan Carlos Oblitas, foi também dar chances aos mais jovens. Nomes históricos, como o meia Juan Manuel Vargas, perderam espaço. Nem todos os veteranos foram descartados. Ele sempre confiou na liderança de Paolo Guerrero e o apoiou mesmo quando o atacante foi suspenso por doping, antes do Mundial de 2018. Era preciso também alterar o estilo de jogo. "Antes era muito chutão, muitos lançamentos longos para o ataque", afirma Guerrero.
Com esse tipo de jogo, o Peru chegou, por exemplo, à semifinal da Copa América de 2011, disputada na Argentina. Caiu apenas diante do campeão Uruguai. Em 2019, foram os peruanos a mandarem o rival embora, nas quartas.