ESPORTE

Lutadores de jiu-jítsu ensinam arte marcial para crianças carentes

Em quatro meses de iniciativa, mais de 30 crianças já participaram do projeto

Tiago Mendonça
Publicado em 05/02/2015 às 09:10Atualizado em 16/12/2022 às 03:39
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 Divulgação

Aulas são ministradas por Filipe Ciabotti às segundas, quartas e sextas-feiras

Uma rotina que se repete três vezes por semana. São as aulas de jiu-jítsu do lutador e também professor uberabense Filipe Ciabotti, que ensina essa arte marcial para crianças carentes do bairro Parque das Américas. Durante duas horas por aula, jovens de até 14 anos de idade têm a chance de aprender um esporte e ficar fora das ruas. E há quatro meses é assim.

Além da aprendizagem, o professor Filipe acredita que as aulas dão oportunidade para que esses jovens possam se tornar cidadãos melhores. “São crianças carentes. Aquela região tem a criminalidade muito presente e tem muita criança na rua. Por isso tocamos esse projeto, para que os jovens tenham uma chance no esporte”, disse.

Segundo Filipe, tudo começou com a ajuda de uma igreja do bairro. “O pessoal da igreja tinha essa ideia de começar a trabalhar com as crianças da comunidade. Começamos com duas crianças nos treinos e esse número aumentou muito rapidamente, pois a notícia se espalhou pelo bairro. Hoje temos cerca de 30 alunos treinando conosco e não estamos mais dando conta de receber todas as crianças”, disse.

Vestimenta usada para se praticar a aula, o quimono foi conquistado de maneira coletiva: a popular ‘vaquinha’. “Os primeiros quimonos conseguimos fazendo uma vaquinha entre nós mesmos. Algumas peças foram conseguidas através de doações. Fora isso, arrecadamos muitas outras coisas. No Natal, por exemplo, recebemos presentes e distribuímos para as crianças”, destacou.

Segundo Marcos Rodrigues, lutador de jiu-jítsu e que ajuda esporadicamente nos treinamentos, a disciplina tem que estar aliada a uma metodologia agradável para as crianças. “Tem que prender a atenção delas. Além de ensinar a arte marcial, temos que fazer de um modo que seja divertido. Isso sem deixar a disciplina de lado, pois a realidade deles é diferente”, apontou.

Ainda de acordo com Marcos, o projeto social pode render bons frutos no mundo esportivo.

“Eles moram em locais com ambiente pesado, muito próximo de seguir o caminho errado. Por isso o professor tem que ter muito mais cuidado. Mas notamos também que tem alunos bem talentosos para o esporte. Alguns deles têm um condicionamento físico melhor que crianças da mesma idade que estão em outra realidade. Então dou meus parabéns para o Filipe”, concluiu.

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