Indicado para ocupar o Ministério do Esporte no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado federal e presidente estadual do PRB/MG, George Hilton, enfrenta resistências do setor. Anteontem a ONG Atletas pelo Brasil divulgou nota oficial condenando a falta de critério na escolha do bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, para o cargo.
“Infelizmente, há anos, o Ministério do Esporte é usado na barganha política. Não se trata de decidir quem seria a melhor pessoa para ocupar o cargo, mas qual partido o terá de acordo com as alianças e que decidirá a seu bel-prazer quem o representará. Nem mesmo uma familiaridade com o tema é observada, o que traz enormes prejuízos ao esporte e ao País em um setor que está à frente de um enorme investimento com os megaeventos esportivos”, diz trecho da nota.
Ainda segundo a ONG, que reúne atletas de renome como Ana Moser e Bernardinho, do vôlei, Fernando Meligeni, do tênis, Gustavo Borges, da natação, e Raí, do futebol, “a nomeação com critério unicamente político, na maior parte das vezes, traz consigo o aumento da ineficiência de gestão, descontinuidade da política, reinício de convencimentos e processos e tudo isso com custo aos cofres públicos”.
A ONG, que existe desde 2009 e reúne mais de 60 atletas, salienta ainda que quer ajudar a construir um País com “espírito olímpico” e uma política para o setor que traga resultados expressivos e de longo prazo, desde que seja administrado com responsabilidade pelos governantes e legisladores.
A reação ao nome de George Hilton surgiu logo após a sua indicação, em especial pelo fato de em 2005, ele ter sido detido pela Polícia Federal com mais de R$ 600 mil – em valores da época – no aeroporto da Pampulha. O dinheiro, segundo ele, era de fiéis da Igreja Universal.
O processo foi arquivado. Presidente da Ala Jovem do PRB Minas e do partido em Uberaba, o vereador Franco Cartafina não foi encontrado para comentar a reação ao nome do correligionário. Presidente nacional do partido, Marcos Pereira já teria dito que se a presidente voltar atrás na indicação, levará a legenda à oposição. Em nota oficial, Hilton cita questões “que já foram resolvidas” e considera que os ataques são injustos e que as críticas refletem uma “perseguição implacável” gerada pela luta política.