Orlando Silva deixa o cargo depois de mais de uma semana de acusações de desvio de verba em sua pasta
O ministro do Esporte, Orlando Silva, deixou o cargo no início da noite de ontem após uma reunião de mais de uma hora com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.
Segundo o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o cargo passará a ser ocupado, interinamente, pelo secretário executivo do ministério, Waldemar de Souza. Carvalho afirmou que a "tendência" é de que o ministério fique com o PC do B e de que haja uma solução de "interinidade", para que depois assuma um sucessor definitivo. "O PCdoB disse que respeita a decisão da presidente. Sabe que a decisão [do sucessor] é da presidente. E o ministro Orlando foi de uma maturidade política muito grande", avaliou Carvalho.
De acordo com Carvalho, a abertura de inquérito pelo Supremo Tribunal Federal para investigar Orlando Silva foi um "fator determinante" para que a presidente Dilma Rousseff decidisse tirá-lo do comando do Ministério do Esporte.
Orlando Silva deve deixar o cargo depois de mais de uma semana de acusações de desvio de verba em sua pasta. Silva foi acusado de participar de um esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que dá verba a ONGs para incentivar jovens a praticar esportes.
A situação do ministro piorou depois que, na terça-feira (25), a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia aceitou pedido do Ministério Público para a abertura de inquérito para investigar as supostas irregularidades. O pedido de abertura de inquérito foi feito na sexta-feira (21) pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
O ministro disse ainda que, apesar de aceitar a decisão do governo, o PC do B deu sinais de que irá "fazer a defesa de Orlando Silva até o fim".