A escolha da nova fórmula de disputa para as duas próximas temporadas do Campeonato Mineiro Módulo I gerou muita reclamação
A escolha da nova fórmula de disputa para as duas próximas temporadas do Campeonato Mineiro Módulo I gerou muita reclamação por parte de dirigentes, principalmente daqueles que trabalham em clubes do interior. O Uberaba Sport Club, através do seu presidente Luiz Humberto Alves Borges e do diretor de futebol Ernani Nogueira, foi um deles. Ambos não esconderam a insatisfação com o sistema de disputa aprovado no arbitral. “Foi a pior notícia do ano”, afirmou Ernani Nogueira.
Com pesos diferentes, os votos de Cruzeiro, Atlético, América e Ipatinga foram fundamentais e decisivos na escolha do regulamento. Nos próximos dois anos, das 12 equipes que iniciam a competição, apenas quatro delas seguem para a próxima fase (semifinais).
Ou seja, oito times terão apenas 11 compromissos no Módulo I.
Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Paulo Schettino, falou sobre a mudança no regulamento do Campeonato Mineiro da Primeira Divisão. O dirigente admitiu que, caso tivesse direito a voto, escolheria outra fórmula de disputa. Jornal da Manhã – Na reunião que contou com as presenças dos representantes dos clubes que disputarão o Estadual de 2011, ficou definida a nova fórmula do campeonato. Diferentemente do ano passado, quando oito equipes avançaram para a segunda fase, no próximo ano, apenas quatro times se classificam para a segunda etapa da competição. Ou seja, foi decretada e eliminação das quartas-de-final. Você acredita que a alteração foi positiva?
Paulo Schettino – Se eu pudesse votar, eu optaria por manter a fórmula de disputa da edição 2009 do Estadual. Como eu não voto e a decisão foi democrática, venceu o sistema de disputa que acaba com as quartas-de-final, tendo apenas semifinais e finais. JM – O sistema de disputa aprovado para as duas próximas edições do Estadual foi uma vitória de Cruzeiro, Atlético, América e Ipatinga. Os quatro clubes nunca esconderam a preferência por um campeonato mais curto e com poucos jogos. O senhor acredita que eles foram os beneficiados?
PS – Não acho que eles foram beneficiados. No ano passado, oito times seguiam para a próxima fase. Daqui para frente, isso não acontecerá mais, já que foram extintas as quartas-de-final. Se dependesse da FMF, eu iria manter a fórmula de disputa dos últimos anos, para dar mais tempo de atividade aos clubes do interior. JM – Alguns dirigentes, como os presidentes de Uberaba e Caldense, reclamaram bastante dos votos dos 12 times terem pesos diferentes. O senhor concorda com essa medida?
PS – Isso faz parte do estatuto da Federação Mineira de Futebol. O campeão da edição passada tem 12 pontos e assim sucessivamente. Os recém-promovidos têm um ponto cada. A votação premia exatamente os melhores do ano anterior. Dentro desse raciocínio, os clubes grandes conseguiram o que queriam. JM - Tupi e Villa Nova sugeriram uma proposta idêntica à utilizada atualmente no Campeonato Carioca. A competição seria dividida em dois torneios, como acontece no Cariocão (Taça Guanabara e Taça Rio), com duas chaves de seis equipes. Não seria o momento da FMF bancar esse regulamento?
PS – Não tenho esse poder.
O conselho arbitral é soberano, o que ele decide vira lei. Eu apenas presido, não tenho direito a voto... JM – Como os clubes do interior não concordaram com a fórmula aprovada no arbitral, não seria o momento apropriado para mudar o regulamento. Existe essa possibilidade?
PS – Nenhuma chance. A não ser que os clubes se manifestem, mas terá que ser uma decisão unânime.
JM – E se os times do interior desistissem da competição. Qual seria a atitude da Federação?
PS - Todos eles seriam rebaixados para a Segunda Divisão. É simples isso, pois é lei, não é a minha vontade. Além disso, convocaria os clubes do Módulo II. A FMF não decide nada. Tudo é feito pelos clubes. Se alguém tem culpa, são os próprios times. JM – Se o senhor fosse presidente de uma equipe do interior, qual seria a sua atitude após o arbitral?
PS – A minha escolha seria por uma fórmula de disputa que tivesse turno e returno. É a mais justa, correta. Infelizmente, não consigo.
JM – Qual seria o sistema de disputa ideal?
PS – Não podemos deixar de lado estádios como o Parque do Sabiá, Uberabão, e nem cidades como Varginha, Pouso Alegre, dentre outras que possuem ótimos estádios. Eu gostaria de realizar um grande campeonato, com muitas equipes do interior, sempre no segundo semestre. Os campeões mineiros entrariam numa próxima fase, juntamente com as equipes do interior que obtiverem as melhores campanhas na fase anterior. Assim, eu poderia usar as datas da CBF para realizar as finais. Já apresentei essa proposta, mas não obtive êxito. JM – Neste ano, apenas seis equipes participaram da Taça Minas Gerais. O que a FMF pretende fazer para fortalecer a competição nos próximos anos?
PS – É uma competição que continuará dando ao campeão uma vaga na Copa do Brasil. No ano que vem, espero que mais equipes participem, um número maior do que o deste ano. Vale ressaltar que a CBF limitou a participação dos clubes da Primeira Divisão nesse tipo de torneio. Alguns clubes desejam antecipar o início da Taça Minas Gerais. E, por isso, estamos estudando a viabilidade.