ESPORTE

Por onde anda a arte do futebol?

Tulio Micheli
Publicado em 07/06/2011 às 21:46Atualizado em 19/12/2022 às 23:56
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Ontem acordei meio atônito. Sabe quando seu time do coração perde e você fica sem rumo? Como sou um amante do futebol, imaginava que o final de semana esportivo tinha tudo para ser sensacional. Finais de campeonato, disputas por grandes títulos e conquistas, despedida de um ídolo que nem o orgulho de ser brasileiro tem, enfim, tinha tudo para ser um fim de semana bem pé quente. De repente a minha paixão pelo futebol desmoronou. Voltei para a realidade e fiquei me fazendo várias perguntas. Muitos porquês, outros talvez e muitas, muitas dúvidas. Para algumas delas ainda não encontrei respostas, mas não vou desistir.

Presenciei ontem uma das cenas mais lamentáveis do futebol uberabense. Acompanhei com toda a Equipe Pé Quente o primeiro jogo da final do Campeonato de Juniores, entre Vila Nova e Fabrício. Era sim um jogo onde a alegria e o suor pela conquista deveriam predominar. Ao invés dos louros pela vitória, ouvi sirenes da Polícia Militar no seu volume maior. Ao invés de atletas com uma bola e o gol como objetivo, eram homens da lei – autoridades policiais – entrando em campo, com suas armas engatilhadas e prontos para uma guerra. Sim, aquilo era uma guerra! Ali, naquele momento, vi a dignidade e honra de homens escorrendo pelos ralos do tapete verde do campo Humberto Soares – o Humbertão.

A agressividade no futebol tem me assustado a cada dia que passa. A crescente violência vem ameaçando a busca pelo jogo limpo. Ah, o jogo limpo, que sempre me vem à lembrança com saudosismo. O que temos visto hoje é uma enxurrada de cotoveladas, cusparadas, carrinhos por traz e trocas de ofensas em espetáculos questionáveis, que desviam as atenções para bem longe da bola. Tudo em uma demonstração de total falta de respeito com o companheiro de profissão/lazer e com o público.

Hoje estamos vivendo um verdadeiro retrocesso do que já foi chamado de futebol-arte. Considerando como fato concreto que o futebol mobiliza multidões, é motivante, é uma paixão nacional. Resgatar esse esporte como instrumento educativo é função da escola e, consequentemente, dos educadores. E, com certeza, a infância seria o melhor momento para que os verdadeiros valores da vida sejam identificados e valorizados por todos.

Não foi isso que vimos. Garotos, muitos deles guiados pela ira de seus pais, tantos outros por inflamações de torcedores enlouquecidos, usavam os punhos para a briga ao invés dos pés para o futebol.

Por conta da falta de comando do árbitro da partida – reiterando que a culpa não foi somente do dono do apito, mas de um conjunto –, Vila Nova e Fabrício se esqueceram de jogar futebol e partiram para os socos e pontapés. Foi necessária a presença de nove viaturas da Polícia Militar e de, aproximadamente, trinta e cinco homens para acalmar os ânimos.

Onde estava a cidadania que o futebol oferece às nossas crianças? O que ela fazia de tão importante para permitir que o ferimento físico e moral fosse a primeira opção? Queira você ou não, eram adolescentes com idade entre 17 e 18 anos que disputavam um troféu, um título, e não uma guerra.

Nós, integrantes da equipe mais Pé Quente do rádio uberabense, estamos de luto. Não permitam que nossas crianças façam do futebol um momento ruim para ser lembrado.

Clamo organização e respeito a todos os diretores do futebol amador em Uberaba, ao presidente da Liga Uberabense de Futebol, aos árbitros, e principalmente aos torcedores. Nossos garotos precisam de incentivo, e não de agressões. Esses meninos precisam ser observados.

O Campeonato Amador vem aí e esperamos que algo mude. Já que estamos semiprofissionais no quesito financeiro, que o sejamos também no moral. Tulio Micheli

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