Luiz Humberto Alves Borges conversou com exclusividade com o Jornal da Manhã e mostrou a realidade vivida pelo Uberaba Sport Club
Se por um lado as atenções estão todas voltadas para a disputa do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão – a popular Terceirona, por outro, torcedores e abnegados do Uberaba Sport buscam incessantemente notícias do Uberaba Sport Club. Após o rebaixamento no primeiro semestre, as notícias do Colorado foram ficando cada vez mais escassas, mas o Jornal da Manhã foi atrás do presidente do clube, Luiz Humberto Alves Borges, para falar sobre gestão, eleições e o futuro do clube. Vamos conferir.
Jornal da Manhã – Presidente, o Uberaba Sport Club está inativo desde o fim do Módulo II e muito pouco se ouve falar da agremiação. Podemos dizer que é somente um descanso temporário e forçado ou nos bastidores o USC segue trabalhando?
Luiz Humberto – Em termos desportivos estamos mesmo parados. Não existe nenhuma competição em andamento e estamos mesmo parados. Neste momento o que o lcube vem discutindo a questão da minha sucessão. A discussão continua dentro do Conselho Deliberativo e, neste quesito, não posso falar que o time está parado. Existe movimentação, mesmo que ela não seja divulgada.
Jornal da Manhã – Você acredita que ser rebaixado para a terceira divisão do futebol mineiro foi o maior prejuízo do clube na sua gestão?
Luiz Humberto – Claro que sim, sem dúvidas. Foi algo inesperado, ainda mais levando em consideração os dois rebaixamentos em anos consecutivos. Era algo que não se pensava que pudesse acontecer. Mas agora essa recuperação depende dos conselheiros que estão tentando buscar alternativas e nomes para tocarem o clube. Tem que ter alguém à frente, mas é preciso ter planejamento. Por isso pedi que esse trabalho de busca de candidatos acontecesse mais rápido, pois é preciso já pensar em um planejamento para todo o ano de 2014. Eu continuo aguardando os nomes.
Jornal da Manhã – Sabemos que as contas do clube oriundas do último campeonato ainda estavam abertas. As dívidas com atletas e comissão técnica já foram pagas ou ainda existe alguma pendência?
Luiz Humberto – Ainda existem sim algumas pendências, mas elas estão aguardando o agendamento das audiências trabalhistas. Vamos buscar acordo com estes remanescentes, como já fizemos com os outros que já tiveram suas audiências realizadas. Creio que ainda exista uma meia dúzia de atletas aguardando a marcação dessas audiências.
Jornal da Manhã – As cobranças sempre foram muito pesadas em cima da sua gestão. Recentemente funcionários e torcedores do USC alertavam que sua diretoria, e você principalmente, abandonaram o time após o rebaixamento, inclusive não aparecendo mais no CT Colorado. Esta afirmação procede ou você continua tomando as rédeas do clube?
Luiz Humberto – Mas me responda uma coisa: eu vou lá ao CT Colorado para fazer o que? Lá não tem atleta, não tem nenhuma atividade do clube. Recentemente tinha a base, mas eu vou opinava, pois os encarregados pelo setor continuaram cuidando da categoria. Entendo que a minha obrigação agora é cuidar do clube administrativamente e viabilizar questões financeiras para entregar à próxima gestão no fim do ano. É exatamente isto o que estou fazendo.
Jornal da Manhã – Foi aplicado por você ou qualquer outro diretor da sua gestão algum recurso financeiro no Uberaba Sport? Se sim o clube tem a obrigação de sanar essa(s) dívida(s) antes que seu sucessor assuma o cargo de presidente?
Luiz Humberto – Não necessariamente precisa ser pago antes da minha saída. Entendo que se alguém colocou algum dinheiro no clube para sanar determinada crise momentânea, a expectativa é que esta pessoa, no futuro, seja ressarcida. Mas isso deve acontecer quando o clube tiver condições para efetuar o pagamento.
Jornal da Manhã – E você foi uma dessas pessoas que contribui financeiramente com o clube?
Luiz Humberto – Quase todos os diretores fizeram isso. Digo com certeza que pelo menos uns quatro ou cinco realizaram empréstimos ao clube.
Jornal da Manhã - Já estamos no mês de setembro e você vinha afirmando desde o rebaixamento que os candidatos a presidente deveriam acompanhá-lo nos últimos meses de mandato. Isso ainda é possível, haja vista que ninguém ainda se oficializou como candidato?
Luiz Humberto – Entendo que este mês de setembro será crucial para este planejamento. Isso porque quando se pensa em buscar patrocínios, mesmo que este seja usado somente no segundo semestre do ano que vem, a busca deve ser imediata. O mês de setembro é importante para começar a visitar possíveis patrocinadores. Eu entendo que independente se de definir quem será o presidente, independente do grupo que está discutindo esta sucessão, precisamos dar andamento nessas atividades.
Jornal da Manhã – Você acredita que será possível entregar o cargo com as contas zeradas? Se não, qual deve ser o déficit para o novo presidente do Colorado?
Luiz Humberto – Se ficar será pouco. Os débitos com a Previdência Social da minha gestão foram pagos. O Fundo de Garantia e outros encargos também foram resolvidos. Se ficar alguma dívida ela será muito pequena. Talvez fique alguma pendência com a Federação Mineira de Futebol, a exemplo do ano em que assumi o clube, que também tinha alguns atrasados com a entidade.
Jornal da Manhã – Quando se fala em dívida pequena, fica sempre uma pontinha de curiosidade. Qual é este valor ou pelo menos o cálculo aproximado?
Luiz Humberto – Hoje o clube deve em torno de R$ 80 mil ou até pouco menos que isso. Claro que essa dívida é oriunda do último campeonato que disputamos, mas estamos trabalhando para sanar tudo até o fim do ano.
Jornal da Manhã – Quando falamos nesta sucessão, você é sempre muito cauteloso com o assunto. Você acredita que a vaidade está emperrando os trabalhos? Este seria uma das dificuldades encontradas pelos conselheiros que buscam um novo mandatário para o clube?
Luiz Humberto – Até agora ainda não entendi o que tem levado esse grupo que discute os nomes a não tomar logo uma decisão. Precisamos logo começar essa discussão integrada com a diretoria atual. Eu já tenho que tomar algumas decisões. Vai chegar determinado momento que vou fazer isso sozinho ou promover alguma ação independente daquilo que o novo grupo esteja pensando. Já que não querem tratar disso com antecedência, vou ter que desenvolver algumas coisas pra terminar minha gestão. E isso pode ser que não esteja dentro do planejamento que este grupo está promovendo.
Jornal da Manhã – Você chegou a estabelecer uma data limite para a entrega destes possíveis candidatos à presidência do clube?
Luiz Humberto – Não. A data limite na verdade é o dia da minha saída do clube. Se não tiver ninguém até esta data, vou tomar as atitudes necessárias. Já está muito atrasado. Isso já era pra ter sido definido no início do semestre. Acredito que já perdemos pelo menos dois meses de trabalho.
Jornal da Manhã - Seu vice-presidente da atual gestão, Anelito Roza, há algumas semanas havia dito que poderia ser um provável candidato. Na última semana ele acabou recusando a proposta deste grupo tão citado por você, que é inclusive, liderado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Luiz. Porque que motivo você acha que essa recusa foi oficializada?
Luiz Humberto – Eu acredito que quando ele manifestou o interesse, talvez ainda não tivesse ouvido familiares, amigos e parceiros. Ele deve ter analisado com mais calma a responsabilidade que é dirigir um clube de futebol. Além disso, é necessário lembrar as atribuições que ele tem como empresário. Na primeira conversa que tivemos o Anelito me disse que estava pensando, mas uma semana depois acabou confessando que não seria possível buscar esse desafio. Foi esta a mesma resposta dada ao grupo.
Jornal da Manhã - Você entende que o Antonio Luiz, atual presidente do Conselho Deliberativo seria um bom nome para a presidência?
Luiz Humberto – O Antonio Luiz tem uma grande experiência de gestão. Durante anos foi gerente bancário, inclusive voltando recentemente a exercer a profissão. Não sei é se ele teria tempo para desempenhar as duas funções. Mas temos outros nomes. Temos 80 conselheiros no grupo. Não é possível que não apareçam outras sugestões.
Jornal da Manhã – Você tem algum candidato em especial que ofereceria total apoio?
Luiz Humberto - Apoio qualquer nome desde que se discuta um projeto. Este novo grupo terá que dedicar, e muito, à gestão do futebol. E ela terá que ser profissionalizada. Não teremos outra saída. E muito em breve todos estes clubes terão que responder como empresa. É preciso de tempo para se dedicar a isso.
Jornal da Manhã – A pouco chegou a ser discutida no USC a possibilidade do clube ter mais de um presidente, a exemplo do América-MG. É uma boa discussão?
Luiz Humberto – Eu confesso que não entendi bem como isso funcionaria. Já conversei com o pessoal, mas não tratamos disso pessoalmente. O que existe no América-MG é uma gestão compartilhada, e isso pode sim ser uma solução para o Uberaba. Não está descartado.
Jornal da Manhã - Funcionários e torcedores do Uberaba relatam que o CT Colorado tem passado necessidades básicas como falta de produtos de limpeza e higiene pessoal. Isso procede?
Luiz Humberto – O que tem no CT Colorado hoje são alguns atletas da base, e se essa necessidade está existindo, quem deve resolver é o departamento das categorias de base. Mas afirmo que não tenho conhecimento dessas reclamações.
Jornal da Manhã – Em oito anos à frente da presidência do USC, qual foi o seu maior acerto?
Luiz Humberto – Acredito que tive vários acertos. Tivemos algumas conquistas importantes para o clube. Disputamos por cinco anos consecutivos a categoria especial da Federação Mineira. Conquistamos dois títulos da Taça Minas Gerais, que nos rendeu duas participações na Copa do Brasil.
Jornal da Manhã – E quais foram seus maiores erros?
Luiz Humberto – Existiu a perda do Boulanger Pucci, mas não sei se isso pode ser classificado como um erro. Acredito que meu maior erro tenha sido ter aceitado ser presidente do clube. Isso não me trouxe vantagem nenhuma, mas trouxe muito desgaste. Eu não precisava disso. Me dispus a colaborar com o clube e não ouve nenhum reconhecimento. Quando conquistamos algo, essa conquista geralmente é dos atletas, mas quando há perdas, a culpa é sempre dos dirigentes. Não me trouxe vantagem nenhuma, principalmente por ter sido sempre um voluntário.
Jornal da Manhã – Quando você deve publicar o edital de convocação para as eleições coloradas?
Luiz Humberto – Em outubro. Já no próximo mês publico o edital e abro prazo para a inscrição das chapas. Ainda não existe uma data precisa, mas é certo que as eleições devam acontecer no início do mês de dezembro.
Jornal da Manhã – Quer aproveitar esta última resposta para agradecer falar algo diretamente para o torcedor do Uberaba Sport Club?
Luiz Humberto – Quero sim! Talvez o torcedor ainda não tenha uma imagem real do que é realmente dirigir um time de futebol. Torcedor sempre age com paixão e poucas vezes ele usa a razão. O que posso dizer ao nosso torcedor é que dei minha contribuição. Se foi boa ou se foi ruim, foi o que pude e consegui fazer. Fiz aquilo que outras pessoas não se dispuseram a fazer.