Lixo na Baía de Guanabara preocupa atletas das Olimpíadas de 2016
O governo brasileiro calculou inicialmente que, ao todo, as Olimpíadas de 2016 custariam R$ 28 bilhões aos cofres públicos. Com a confirmação do Rio de Janeiro como sede, no ano seguinte, a prefeitura prometeu projetos e obras que visavam deixar um legado olímpico ao município, buscando beneficiar futuras gerações com o maior incentivo esportivo.
Mas a um ano do início dos Jogos, a realidade do Rio de Janeiro é contemplada por atrasos de repasses financeiros da União, obras inacabadas e superfaturadas, além de polêmicas envolvendo alguns dos locais onde serão disputadas algumas modalidades. Contrária a estimativa financeira orçada menor que R$ 30 bilhões, hoje já ultrapassa os R$38,2 bi, superando os gastos da Copa do Mundo de 2014, que ficaram em torno de R$ 27,1 bi.
Do valor estimado, R$ 24,6 bilhões são destinados ao legado olímpico, que prevê melhorias na infraestrutura da cidade. De acordo com o Comitê Organizador, R$ 7,4 bilhões de despesas são de orçamento privado, que é responsável pela logística do evento. O restante, portanto, ficaria para a compra de equipamentos especializados e a construção de ginásios e arenas. A Marina da Glória corre risco de não sediar competições de vela por excesso de poluição.
Tempo. Segundo o jornal Valor Econômico, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, teria reclamado da demora em receber a verba da União para a realização das obras, fruto dos cortes de orçamento feitos em 2015 pelo governo de Dilma Rousseff. Sem o dinheiro de prontidão, a própria prefeitura estaria gerenciando os preparativos. Para ele, o principal inimigo na organização dos Jogos tem sido a burocracia imposta no repasse financeiro.
Se no início do ano o discurso era de que não haveria atrasos na entrega das instalações para o evento mundial, a realidade já aponta o contrário. O próprio portal de transparência do governo já dá a construção do velódromo como atrasada – com 51,24% dos procedimentos concluídos, a expectativa é que a obra fosse entregue em dezembro deste ano.
Localizado na região da Barra da Tijuca, o local contém 14 das 31 instalações e é considerado o principal ponto dos Jogos, principalmente por abrigar a Vila Olímpica. Também na Barra, o Centro Olímpico de Tênis é outra obra que deve ser entregue após o prazo final, apesar do status de “normal” apontado pela organização do evento. Com a data de finalização prevista para o dia 21 deste mês, apenas 60% da construção foi concluída.
Saúde. Além da atenção com as obras inacabadas, outra preocupação passou a rondar o cenário pré-Olimpíadas no Rio de Janeir a poluição na Baía de Guanabara, na praia de Copacabana e na Lagoa Rodrigo de Freitas. Atletas de modalidades como vela, canoagem, triatlo e maratona aquática precisarão encarar águas semelhantes ao esgoto, com altas taxas de poluição. Uma denúncia no mês passado mostrou níveis perigosos indicando a presença de vírus e bactérias nos locais, colocando em risco a saúde dos competidores. A rota de fuga à Baía seria levar as competições da vela para o mar aberto.
Na ocasião da candidatura olímpica, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, falou em realizar mais investimentos na infraestrutura de saneamento básico da cidade, prometendo a limpeza de até 80% da Baía de Guanabara. Sete anos depois, com a investigação da AP vindo à tona, o político até lançou uma tentativa de ampliar o programa de despoluição, mas admitiu que nada pode ser feito a tempo dos Jogos.
Mesmo com as dificuldades citadas, há quem enxergue a execução dos Jogos em 2016 com otimismo. Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de esportes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), avaliou o rendimento de atletas brasileiros em competições olímpicas de alta relevância em 2015. "Está sendo o melhor quadriênio da história olímpica brasileira” afirmou Freire.
Com 353 vagas garantidas, a expectativa do COB é de ter 400 atletas participando das Olimpíadas. O gerente geral de performance esportiva, Jorge Bichara, já traçou a estratégia brasileira para os Jogos observando a demanda de medalhas em cada modalidade. A contagem regressiva para as Olimpíadas do Rio de Janeiro iniciou nesta quarta-feira (5). A 364 dias do início dos Jogos Olímpicos, ainda há muitas obras inacabadas.