O Grêmio está fora da Copa do Brasil. Na tarde de ontem, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu excluir o clube gaúcho da competição por conta das ofensas raciais de parte de sua torcida ao goleiro Aranha, do Santos, na partida da última quarta-feira, na Arena, em Porto Alegre. De forma unânime, os auditores do STJD já acompanharam o voto do relator Francisco Pessanha, que pediu a exclusão do Grêmio e multa de R$ 50 mil.
A Procuradoria usou termos como 'repugnantes', 'nefastas' e 'ultrajantes' para definir as injúrias raciais contra o atleta do Santos. O clube gaúcho foi denunciado pelo artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O Grêmio ainda recebeu multa de R$ 4 mil pelo arremesso de um rolo de papel higiênico no gramado e pelo atraso para entrar em campo. Ainda pode haver recurso no Pleno.
Os torcedores que forem identificados pelas ofensas estão proibidos de frequentar estádios por 720 dias. No julgamento, o primeiro a depor foi o presidente do Grêmio, Fábio Koff, que disse que as atitudes de poucos torcedores prejudicam a imagem do clube. “Este julgamento atinge um clube com 111 anos de história, que tem atletas de cor nas escolinhas, nos alojamentos da base, no profissional. O Grêmio não apoia, não subsidia ninguém, não dá ingressos para torcidas organizadas”, disse o presidente.
Julgado pelos artigos 261-A e 266, assim como seus assistentes na partida, o árbitro Wilton Pereira Sampaio também prestou depoimento e afirmou que não interrompeu a partida, pois não percebeu as ofensas ao goleiro. “Quando me dirigi ao atleta, disse a ele que ficasse tranquilo, que não tivesse nenhuma conduta agressiva em relação à torcida. Disse ao técnico Edu Dracena que se fosse percebido algo em relação a isso a partida seria suspensa. Após o jogo não foi me passado nada. Ao chegar vi a reprise do jogo e as notícias na Internet e fiquei assustado e resolvi fazer o adendo à súmula.