A partida contra o Equador, logo mais, às 21h45, na Arena do Grêmio, tem um sabor diferente para o técnico Tite. Foi contra esse mesmo adversário que ele fez a sua estreia no comando da Seleção Brasileira há um ano. O panorama era completamente diferente. Além de estar numa situação complicada na tabela, o Brasil encarava o líder, na altitude de Quito, onde não vencia há 33 anos.
De lá para cá, muita coisa mudou na trajetória da Seleção, o que impactou diretamente na vida e carreira do treinador. Tite foi ousado e agregador ao mesmo tempo. Trouxe de volta Marcelo, apontado por muitos o melhor lateral-esquerdo do mundo, mas que estava afastado da Amarelinha por problemas com Dunga. Também resgatou Paulinho, esquecido na China e, de quebra, apostou num novo camisa 9: Gabriel Jesus. E foi dele a grande atuação da noite, apesar de um Neymar bastante participativo, Jesus roubou a cena, sofreu o pênalti no primeiro gol e marcou dois para dar ao Brasil um placar de 3 a 0. Era uma mudança e tanto para quem passava por um momento bastante turbulento. Se antes a confiança em Tite era grande, depois disso, ele passou a ser praticamente uma unanimidade entre torcida e imprensa.
Em um ano, Tite resgatou o orgulho da Seleção, implantou um sistema, “descobriu” Gabriel Jesus, fez com que Coutinho se tornasse protagonista com a Amarelinha, deu tranquilidade para Neymar ser o maestro da equipe, resgatou atletas e acirrou a competição entre os jogadores. Ele também chamou a responsabilidade para si, algo que é muito importante dentro do futebol. Deixou os jogadores à vontade, sabendo que “mais acima” tem um chefe que briga por eles. Tite bateu recordes de invencibilidade nas Eliminatórias, mostrou o lado humano do futebol e foi indicado pela Fifa para concorrer ao prêmio de melhor treinador do mundo ao lado de nomes como Zidane, José Mourinho, Antonio Conte, Pep Guardiola, entre tantos outros. É o único brasileiro na lista.