UEFA disse a Infantino que a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento (Foto/Reuters - Jean Bizimana)
A Uefa anunciou nesta quinta-feira (30) que poderá deixar de disputar competições organizadas pela Fifa caso seja colocado em prática o plano de vender participação comercial da Copa do Mundo a investidores privados.
A decisão foi comunicada após uma reunião virtual com representantes das 55 federações filiadas à entidade europeia. Em nota, a Uefa afirmou que nenhuma seleção vinculada à confederação participará de torneios da Fifa enquanto a proposta permanecer em discussão, a menos que ela seja totalmente abandonada e existam garantias de que as competições não terão participação privada.
Segundo a entidade, a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. A Uefa destacou ainda que o torneio representa um legado construído ao longo de gerações por jogadores, seleções e torcedores.
O impasse começou depois que a Fifa confirmou a intenção de criar uma entidade sem fins lucrativos para administrar comercialmente seus principais torneios, incluindo as Copas do Mundo e o Mundial de Clubes.
A nova estrutura, chamada Fifa Forward Enterprises (FFE), poderá receber investimentos externos caso o projeto seja aprovado. A Fifa pretende vender até 21% da nova empresa para arrecadar US$ 4,2 bilhões, valor que, segundo a entidade, seria destinado às federações filiadas.
De acordo com o texto, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, informou às 211 federações que elas continuariam recebendo recursos caso apoiassem o projeto. Também foi estabelecido um prazo até 19 de setembro para adesão à proposta.
Para entrar em vigor, o plano ainda precisa da aprovação das federações membros e do Conselho da Fifa.
A próxima Copa do Mundo prevista no calendário é a edição feminina, marcada para junho de 2027, no Brasil. Antes disso, a posição da Uefa poderá ser colocada à prova em competições como a Copa do Mundo Sub-20, na Polônia, além dos playoffs do Mundial Feminino e da Copa do Mundo Feminina Sub-17.
O Ministério do Esporte brasileiro foi procurado para comentar possíveis impactos no Mundial de 2027, mas, segundo o texto, ainda não havia respondido.
Em comunicado, Gianni Infantino afirmou que fortalecer a área comercial representa um passo natural na evolução da Fifa e garantiu que a entidade continuará responsável pela administração do futebol mundial, sem interferência externa.
A proposta também recebeu críticas de outras confederações. A Concacaf questionou a falta de consultas durante a elaboração do projeto e informou que seus países membros rejeitaram a iniciativa. A Confederação Asiática declarou que ficou desapontada por tomar conhecimento do assunto antes da discussão pelos canais oficiais de governança. Já a Confederação Africana confirmou apenas que participa do processo de consulta junto às associações filiadas.
O conflito entre Fifa e Uefa também tem reflexos políticos. Segundo o texto, a entidade europeia vê Nasser Al-Khelaifi como um possível nome para disputar a presidência da Fifa nas eleições previstas para março de 2027. No entanto, uma fonte ligada ao dirigente afirmou que ele não tem interesse em concorrer ao cargo.