Com um gol, dribles desconcertantes e postura de líder, o camisa 11 foi o grande nome da vitória do Brasil sobre a Itália por 2 a 0, ontem, em Londres.
Robinho ganhou o colo de Dunga. Em troca, fez o técnico passar com louvor no primeiro teste da seleção brasileira, com a sombra do agora desempregado Luiz Felipe Scolari. Com um gol, dribles desconcertantes e postura de líder, o camisa 11 foi o grande nome da vitória do Brasil sobre a Itália por 2 a 0, ontem, em Londres. Isso em meio ao caos que virou sua vida pessoal depois da acusação de estupro em uma boate inglesa, o que gerou uma blindagem em cima dele, com direito a assessores europeus contratados a peso de ouro, e uma trupe de seguranças e familiares no hotel que abrigou a seleção em Londres. Dunga, que nunca escondeu ter Robinho como o seu pupilo preferido, apoiou o jogador do Manchester City desde o início - chegou a criticar quem o "condenou por antecipação". E o atacante correspondeu. No primeiro jogo entre os dois últimos campeões mundiais em quase 12 anos, ele já levantava os braços pedindo o incentivo da torcida, logo nos minutos iniciais. Quando achava que o Brasil estava sendo prejudicado pela arbitragem, reclamou com pose de capitão. O mais importante, no entanto, era o que fazia dentro de campo, especialmente no primeiro tempo, quando o Brasil fez dois gols, jogando bem, o que evitou qualquer manifestação dos milhares de brasileiros nas arquibancadas do Emirates Stadium em favor de Scolari, que preferiu ver o jogo de casa, nos arredores de Londres. A vitória colocou o Brasil à frente na história de confronto entre os dois países - até hoje empatado no número de vitórias para cada lado (cinco) e em gols marcados (19). Antes de brilhar, o Brasil ainda foi ajudado pelo trio de arbitragem, que anulou, alegando impedimento, um gol legal de Grosso, logo aos 4min. Aos 14min, uma triangulação entre Ronaldinho, Robinho e Elano acabou com o último chutando da marca do pênalti, para vencer o goleiro Buffon e abrir o placar. Elano é o artilheiro brasileiro na era "Emirates Stadium", arena onde o Brasil já jogou quatro vezes desde 2006 - ele já havia marcado duas vezes contra a Argentina. O momento mais sublime do jogo aconteceu aos 27min. Robinho roubou a bola de Pirlo, cortou com um drible certeiro Zambrotta e chutou rasteiro, cruzado, para fazer o segundo. Para o segundo tempo, Marcelo Lippi, o técnico italiano, reformulou de forma radical sua equipe, com quatro substituições. Dunga manteve o time. A Itália novamente teve um gol anulado, desta vez corretamente, depois que Luca Toni praticamente segurou a bola com as mãos antes de vazar Júlio César. O lance deixou os italianos nervosos, a ponto de fazerem faltas violentas - acabaram com três cartões amarelos. Antes do apito final, Dunga substituiu Robinho, para que ele saísse ovacionado, e sendo anunciado como o melhor da partida pela organização. A seleção volta a campo agora no final de março, quando enfrenta, em Quito, o Equador pelas eliminatórias, competição em que está em segundo lugar, a seis pontos do líder Paraguai.