TIMÃO

Vitória na Supercopa renderia pouco alívio à dívida bilionária do Corinthians

Mesmo com título, Supercopa reduziria menos de 0,3% do endividamento do clube; ser vice pode sair mais barato para o Timão

Dandara Aveiro
Publicado em 01/02/2026 às 13:22Atualizado em 01/02/2026 às 13:22
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A final da Supercopa do Brasil entre Corinthians e Flamengo, neste domingo (1º), no Mané Garrincha, em Brasília, vale o primeiro troféu nacional de 2026, mas, do ponto de vista financeiro, o impacto para o Timão seria mais simbólico do que efetivo. Mesmo em caso de vitória, a premiação líquida representaria menos de 0,3% da dívida total do clube, hoje estimada em cerca de R$ 2,8 bilhões, considerando passivos do futebol, obrigações trabalhistas, débitos fiscais e a dívida da Neo Química Arena.

Em 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) definiu uma premiação recorde para a Supercopa. Apenas pela participação, Flamengo e Corinthians garantem R$ 6,35 milhões. O campeão, além desse valor, recebe ainda US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) repassados pela Conmebol, totalizando aproximadamente R$ 11,55 milhões pela conquista.

À primeira vista, o montante parece relevante. No entanto, quando comparado ao cenário financeiro do Corinthians, o valor perde força. Segundo balanços recentes, a dívida bruta do clube paulista gira em torno de R$ 2,8 bilhões, somando compromissos do clube e o financiamento da Neo Química Arena. O passivo inclui débitos bancários, impostos, salários, direitos de imagem, compras de jogadores, serviços contratados e até pendências com ex-funcionários.

O “efeito Depay” na conta

Além do peso da dívida global, existe ainda um fator contratual que reduz ainda mais o impacto de uma eventual vitória: o contrato do atacante Memphis Depay. O holandês tem cláusula que prevê bônus de aproximadamente R$ 4 milhões por título conquistado, desde que esteja relacionado e em campo, gatilho que já foi acionado nas conquistas da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista, em 2025.

Na prática, isso significa que, caso o Timão levante a taça da Supercopa, parte significativa da premiação teria destino certo. Dos cerca de R$ 11,55 milhões pagos ao campeão, aproximadamente R$ 4 milhões seriam automaticamente direcionados ao pagamento do bônus de Depay, restando algo em torno de R$ 7,5 milhões para o caixa do clube.

Mesmo se todo esse valor fosse usado exclusivamente para abater dívidas — o que não ocorre na prática —, a redução representaria menos de 0,3% do endividamento total do Corinthians, um impacto considerado praticamente simbólico diante do tamanho do passivo.

E se for vice?

Curiosamente, o cenário financeiro muda pouco  e, em alguns aspectos, até melhora, caso o Corinthians termine como vice-campeão, já que, nessa hipótese, o clube ainda receberia R$ 6,35 milhões pela participação, mas sem a obrigação de pagar o bônus de título ao atacante holandês. Ou seja, o valor líquido disponível para aliviar outras pendências poderia ser até maior do que no cenário de vitória, ainda que simbolicamente frustrante para a torcida. Um detalhe que ilustra como o peso dos contratos e da dívida acabam engolindo parte relevante das premiações esportivas.

Mesmo somando a possível premiação da Supercopa com os valores já arrecadados pelo Corinthians em 2025, como o título da Copa do Brasil, que rendeu cerca de R$ 97,8 milhões, e o Campeonato Paulista, com aproximadamente R$ 49 milhões em premiação, ambos também impactados pelos bônus contratuais, o efeito sobre o passivo bilionário segue sendo mínimo.

A conquista de um troféu nacional ajuda no fluxo de caixa, melhora o ambiente esportivo e fortalece a imagem do clube, mas está longe de representar uma virada financeira. No fim das contas, a Supercopa vale muito em prestígio e moral, mas, olhando friamente os números, não muda o tamanho do problema fora de campo. E, em uma ironia que o próprio balanço explica, para o Corinthians, ser campeão rende taça… mas ser vice sai quase tão vantajoso quanto no caixa.

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