A sensação de angústia da ansiedade pode ser muito intensa, causando bastante mal-estar, paralisando o indivíduo, impedindo-o de agir. Isso acontece com adultos e crianças.
A medicalização do problema é uma das grandes preocupações em relação ao diagnóstico de ansiedade, sendo que pesquisa realizada entre 2005 e 2012, publicada no periódico Neuropsychopharmacology, mostrou que a prescrição de antidepressivos para crianças e jovens aumentou 54% no Reino Unido, o que é preocupação da Organização Mundial de Saúde, que atenta para o consumo de medicamentos sem necessidade para menores de 18 anos.
Importantíssimo é evitar que as crianças apenas controlem os sintomas com os medicamentos, sem aprender as estratégias necessárias para lidar com as situações que levam à ansiedade. Assim, a terapia, com ou sem medicação, é indispensável ao tratamento.
É de primordial importância que os pais reconheçam que esses sinais dos filhos precisam ser levados a sério. Relatório do Chig Mind Institute (EUA), publicado recentemente, declara que oito em cada dez crianças com ansiedade diagnosticável não fazem nenhum tipo de tratamento. Os pais devem entender que se trata de um problema.
Para conseguir lidar com a ansiedade, é essencial que a criança se sinta acolhida pelos pais. Interessante é ajudá-la a reconhecer seus medos e mostrar que eles são aceitáveis. Interessante também é não minimizar o sofrimento do filho, encorajando-o a superar os motivos de sua aflição sem forçá-lo a nada. Sentimentos são sempre legítimos porque não são controlados.
Incorreto é tentar evitar que a criança enfrente o que lhe causa ansiedade, passando a fazer tudo por ela ou mudar o curso das situações.
Correto é não poupar a criança de situações reais, com as quais ela terá de lidar, mas fazê-la se sentir segura e amparada. É necessário entender que lidar com certas situações muito fáceis para o adulto pode ser motivo de grande angústia para os pequenos, causando ansiedade. É preciso ter carinho, paciência e empatia.
Uma a cada oito crianças apresenta algum distúrbio de ansiedade, desde quadros mais leves até patológicos, conforme a Associação Americana de Ansiedade e Depressão, e, para os especialistas, esse número tende a aumentar, devido à rotina atribulada e cheia de cobranças da vida moderna. Há um componente genético que torna algumas crianças mais sensíveis que outras, entretanto o ambiente e a criação têm um peso igual ou mais importante.
Não existe exame clínico capaz de detectar um nível de ansiedade considerado acima do normal, sendo que esta, dependendo da dose, pode se tornar patologia.
Em uma dose saudável, a ansiedade pode ajudar a se preparar melhor para uma situação crítica.
Sandra de Sousa Batista Abud
Psicóloga Clínica
E-mail: sandrasbabud@hotmail.com