O que é cultura? O termo cultura tem a mesma origem que possui a palavra cultivo, ou seja, manter, cuidar, nutrir. Assim, é possível afirmar que cultura é tudo que o homem cria e mantém. Ela pode ser material, como prédios, cidades, locomotivas, espaçonaves, ou não material, correspondendo aos símbolos, signos, linguagem, gestos e, numa dimensão maior, valores, normas, conhecimento e crenças.
Assim sendo, a cultura, isto é, tudo o que é produzido pelo homem, seja material ou imaterial, compõe a realidade, mas no sentido da artificialidade. A humanidade é a pilha elétrica que mantém, que nutre, que cultiva essa realidade, assim como a pilha elétrica que mantém o brinquedo, o rádio, o controle remoto, etc. Se desaparece o homem, a cultura desaparece junto.
A cultura pode interessar a várias áreas do saber. Na Antropologia, estuda-se a cultura como forma de desenvolver o conhecimento sobre o homem; na Sociologia, ou como função, ou como estrutura, ou como a descendência dos significados, a cultura é tida como um dos elementos mais importantes para a união de uma sociedade. A cultura também interessa à Filosofia, pois a discussão sobre individualidade, subjetividade, autonomia, representação, emancipação e apropriação indiscutivelmente passa por ela.
Há diversas formas de manifestação da cultura que comumente são agrupadas com as denominações cultura erudita, cultura de massa e cultura popular. A cultura erudita é desenvolvida por uma elite de intelectuais e artistas, marcada por um certo formalismo que confere confiabilidade e sofisticação ao conteúdo que é produzido. A cultura de massa é vinculada aos meios de comunicação de massa como televisão, cinema, imprensa e outros. Já a cultura popular corresponde à manifestação produzida pelo homem na sua relação com as pessoas e com a existência, isto é, com o mundo concreto. Assim, a cultura popular é carregada de subjetividade e representações, fruto do assombro, da inconformidade e da vida refletida.
A cultura popular pode estar presente no desenho da criança, no graffiti dos viadutos e metrôs, na música brega, no cinema cult, na fotografia amadora, na poesia escolar, na televisão, no carnaval, na procissão dos feriados santos, nos repentes nordestinos, em toda parte. Ela não possui toda a pompa da cultura erudita e está longe do vazio e da superficialidade que é marcante no conteúdo dos produtos da indústria cultural. Pode abranger massas, pequenos grupos ou mesmo ser particular. Sua principal característica é a expressão de uma autêntica subjetividade, de uma profunda experiência existencial. O indivíduo dispensa os sistemas racionais em que tudo tem uma explicação, com começo, meio e fim, harmonia, simetria, beleza, final feliz, e salta para a concretude bruta, nua e crua, até hostil, enfrentando o medo, a angústia, o tédio, o êxtase, se permitindo uma experiência única.
(*) Psicóloga clínica