Qual a idade do estresse? Que nomes eram dados ao problema? Quais as semelhanças de características apresentadas nos diagnósticos ao longo do tempo?
Relatos de síndromes que lembram os sintomas do distúrbio com as mesmas características do estresse remontam à Suméria e à Grécia Antiga, incluindo até uma menção na Ilíada de Homero. Na Guerra Civil Americana, os veteranos sofriam de um mal denominado “coração de soldado”; na Primeira Guerra Mundial, os sintomas estressantes ou traumáticos foram chamados de “neurose de guerra”, e na Segunda Guerra, o termo utilizado para a doença era “fadiga de combate”. Na década de 70, alguns soldados que retornavam da guerra no Sudeste da Ásia receberam diagnósticos informais denominados “síndrome pós-Vietnã”, que também apresentavam grande semelhança com a descrição do DSM (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) sobre o TEPT (Transtorno de estresse pós-traumático).
Eventos aterrorizantes podem sobrecarregar nossa capacidade de enfrentar situações difíceis e nos deixar psicologicamente paralisados, e assim podemos estar em risco de desenvolver o transtorno de estresse.
Estresse é um estado gerado para percepção de estímulos que provocam excitação emocional ao perturbarem a homeostasia – processo de regulação pelo qual o organismo mantém constante o estado de equilíbrio das diversas funções e composições químicas do corpo, como temperatura, pulso, pressão arterial, taxa de açúcar no sangue, entre outros – levando o organismo a disparar um processo de adaptação, caracterizado pelo aumento da secreção de adrenalina, com várias consequências sistêmicas. O termo homeostasia foi criado pelo fisiologista americano Walter Canon (1871-1945).
A doença estresse é um distúrbio de ansiedade generalizada, caracterizado por lembranças, pesadelos e outros sintomas que comprometem as atividades cotidianas. Acredita-se que ele afete cerca de 8% dos indivíduos, em algum momento da vida, em países como os Estados Unidos.
Apesar de ser uma das perturbações psíquicas mais conhecidas, é também uma das mais controversas. A intensa dor psicológica e a agonia experimentada pelas vítimas são bastante reais. No entanto, as condições em que ocorrem, sendo que o trauma é considerado o principal fator no desencadeamento do sofrimento emocional, têm sido colocadas cada vez mais em questão. Tradicionalmente, profissionais de saúde mental definem a patologia como uma típica resposta a qualquer trauma. Nos últimos anos, porém, o quadro passou a ser considerado distinto de outras formas de ansiedade causadas pelas adversidades da vida.
(*) Psicóloga Clínica