Como você pensa na felicidade? Como algo misterioso, que não vem quando chamada, escapa facilmente e pode ser confiscada a qualquer momento pelos mesmos que detêm o poder de concedê-la?
A felicidade é a única meta almejada que possui valor em si mesma. Amor, dinheiro, beleza, saúde e poder fazem sentido somente como meio para atingi-la.
Desde o século VII antes de Cristo, quando os antigos gregos criaram a palavra felicidade, seu sentido sempre foi nebuloso, abstrato, assunto para filósofos, poetas e místicos, não para os cientistas, envolvidos com problemas objetivos. Atualmente, a Ciência resolveu decifrar a questão. Um psicólogo americano, de origem húngara, Csizkszentmihalyi, após duas décadas de pesquisas, conseguiu demonstrar que a felicidade é um estado de espírito que pode ser explicado, medido e alcançado, por meio de um esforço racional, e, segundo pesquisas da Universidade de Chicago, desfruta-se de felicidade quando se está imerso, completamente concentrado, em atividades nas quais se encontram desafios e possibilidade de crescimento pessoal. A palavra com que Csizkszentmihalyi define esse estado da mente é fluxo, um estado de satisfação intensa. Mas depois de um tempo isso torna-se rotineiro, sem interesse e buscam-se novos desafios e nova entrada em fluxo. A sucessão de pequenos progressos faz o indivíduo se sentir feliz. “A felicidade não é a sorte grande na loteria nem fruto do acaso”, o pesquisador escreveu em seu livro Flow: The Psychology of the Optimal Experience, de 1990, publicado nos Estados Unidos. Não é também algo comprado pelo dinheiro. Não depende de eventos externos, mas da sua interpretação. Seguindo essa ideia, ele desenvolveu uma técnica que permite registrar, com exatidão, os estados de espírito e os sentimentos que se sucedem no cotidiano, chegando à definição de fluxo como a sensação de intenso bem-estar, sempre descrita de forma semelhante, o corpo ou a mente, no limite de sua capacidade, num esforço voluntário de realizar algo difícil e que valha a pena. O escritor inglês Aldous Huxley (1894-1964) já havia definido a felicidade em seu livro Contraponto, de 1928, como um subproduto de alguma outra coisa que se está fazendo.
O fluxo exige que a atenção não seja diluída e investimento nas situações que podem trazer satisfação. A falta de concentração pode provocar um desempenho inferior às expectativas e causar frustração. Não é necessário que seja um evento grandioso para se entrar em fluxo.
As pessoas que se deprimem com facilidade não atingem o fluxo.
A felicidade acontece quando o sujeito se volta plenamente para uma tarefa que envolva desafio.
(*) Psicóloga Clínica