Um fanático raramente vê limites para a sua paixão. Assim, ver o jogo, comprar a camisa e acompanhar o dia a dia do time do coração não é suficiente. Para muitos, conhecer as instalações de um estádio serve para cultuar o local onde ocorreram momentos históricos e se sentirem mais próximos dos protagonistas do espetáculo. E os brasileiros já podem fazer isso, em algumas das principais arenas do Brasil. Programa comum na Europa, onde conhecer um estádio pode ser tão natural quanto passar por um famoso museu, ou fotografar um prédio histórico, as visitas monitoradas permitem que os torcedores conheçam o gramado (geralmente, só andar em volta, sem pisar do lado de dentro do campo), vestiários, instalações de imprensa e corredores de acesso. Em alguns casos, o passeio se completa com uma visita a um museu do clube e a uma loja oficial. Francisco Piraíno, diretor de comunicação do Beira Rio, comenta que a sala de troféus é hoje o cartão de visitas do time de Porto Alegre: é uma das partes do passeio mais esperada pelos visitantes, onde estão expostos todos os troféus mais importantes do Inter, como o da Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores”. Apesar deste mercado estar em crescimento, os clubes ainda não dão tanta importância ao potencial de renda que pode ser gerada por essa atividade. Tanto que, em muitos casos, as entradas são gratuitas e basta um telefonema pedindo autorização, para se ter acesso às instalações. “A intenção é criar um vínculo maior com o torcedor, para que ele possa consumir outros produtos, de maior valor”, explica Marcelo Gumão Furtado, superintendente de marketing do Náutico, clube que planeja lançar um programa de visitas aos Aflitos. Entre os que cobram a entrada, o valor é tratado como algo simbólico, apenas para custear (guia, emissão de ingresso, bilheteria, limpeza). Por isso, o Atlético Paranaense cortou o preço da visita à Arena da Baixada, incluída na programação de turismo de Curitiba pela metade, e oferece uma cartela de aposta da Timemania. Os estádios não são procurados apenas por torcedores. Em muitos casos, este público é até de relevância secundária. O Mineirão, por exemplo, recebe uma tão grande quantidade diária de turistas, que se tornou o segundo ponto mais procurado de Belo Horizonte, atrás apenas do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. De olho nesse filão, o Santos criou esquemas especiais para quem quiser conhecer a Vila Belmiro. No verão, o estádio recebe muitos estrangeiros que desembarcam direto de navios de Cruzeiros. Além do roteiro básico constituído por arquibancada, gramado e vestiários, o Peixe oferece passeio pelo museu, eventualmente com a participação de ex-craques do time. Apesar do sucesso do Mineirão e da Vila Belmiro, o maior exemplo de como um estádio pode ser turisticamente atrativo é o Maracanã. A arena carioca montou uma estrutura em que o visitante passa pela Calçada da Fama, conhece o museu do futebol e pode até cobrar pênaltis virtuais. Desse modo, o estádio Jornalista Mário Filho se tornou uma das atrações mais procuradas da cidade. Somando os projetos já implementados e os que, segundo os clubes, estão no papel, os estádios brasileiros estarão mais acessíveis aos torcedores. Não apenas as arquibancadas, mas até setores que, há pouco tempo, eram exclusivos dos atletas. Nos Aflitos, o estádio fica aberto para sócios durante os finais de semana, de manhã. Há projeto para visita guiada ao estádio, museu e sede. No Beira Rio é gratuito e o passeio inclui camarotes, gramado (acesso restrito), centro de eventos, capela, cabines de imprensa, museu, sala de troféus, vestiário (exceto em dias de jogo) e loja. No Maracanã paga-se R$ 20,00 para visitar o museu do estádio, calçada da fama, memorial histórico, mural dos shows realizados, vista panorâmica, tribuna de honra, vestiários, sala de aquecimento e visita ao gramado. No Mineirão, o passeio pelo memorial do futebol mineiro, vestiários, sala de troféus, calçada da fama, sala de coletiva e grama, custa apenas R$ 5,00.