No universo do futebol mundial, as torcidas se mobilizam das mais diversas formas. Dos torcedores mais assíduos aos mais relapsos, muitas são as formas de organização desse tipo de fã de futebol. Foi nesse contexto que surgiu a cultura dos “Ultras”. Esse fenômeno transcende a paixão pelo esporte, e envolve um grupo de pessoas que são profundamente adeptas, engajadas e dedicadas ao esporte. Países como Portugal, que tem uma relação forte com o esporte, foram muito influenciados por essa cultura. Mas de que fora isso aconteceu? Nesse artigo vamos compreender.
A cultura ultras surgiu na Itália e se espalhou por todo o continente Europeu. Em sua essência, os ultras são organizações de fãs com alto nível de dedicação ao esporte e aos clubes. São conhecidos por suas coreografias, seus cantos e por seu fervor que, por vezes, pode parecer bastante exagerado. Cada país teve essa cultura disseminada de uma forma, ganhando novos e comportamentos distintos.
Em Portugal, por exemplo, essa cultura encontro um cenário com um solo bastante fértil. Os clubes do país já contavam com uma torcida bastante apaixonada, o que oferecia um ambiente perfeito para que esse fenômeno ganhasse espaços. Por lá, os ultras são chamados de “claques” e não são meros apoiadores, eles ocupam o espaço de organizadores de eventos, criadores de faixas e, ainda, acumulam um repertório considerável no que diz respeito a músicas e coreografias ao assistir aos jogos dos times.
Em 2024, estima-se que existam pelo menos 19 Claques legalizados em Portugal. Uma das marcas registradas por lá é o uso de coreografias e bandeiras. Além disso, os grupos são conhecidos por transformarem os estádios, sendo comum inclusive o uso de elementos como pirotecnia, sinalizadores e tochas – o que também os coloca no centro de discussões e polêmicas sobre a forma como costumam expressar sua torcida em algumas situações. Somado a isso, as suas músicas e gritos de guerra variam de hinos dedicados aos times, até músicas que fazem referência aos adversários em campo.
Além do seu papel nas torcidas, muitos grupos também se engajam em causas sociais, organizando eventos, campanhas e outras iniciativas que podem ajudar a contribuir para a imagem da cultura ultra. Esse tipo de ação mostra que, apesar da reputação controversa dos grupos, há uma dimensão de responsabilidade social por trás das torcidas.
Ao olharmos para as características destes torcedores, é possível identificar que certamente eles causam impactos no futebol português. E sim, esse é um fato. Seja no ambiente nos jogos, quanto na relação com os clubes, os ultras, ou claques, em Portugal, são responsáveis por darem personalidade as partidas de futebol, unindo seu entusiasmo, energia e apoio dos povos. Com isso, ajudam também a motivar os jogadores em campo, tornando a experiência ainda mais completa.
Um ponto de atenção nesse meio é a relação entre os grupos e os clubes. Por um lado, os clubes reconhecem o papel desse tipo de organização, mas por outro, também sabem que existem desafios relacionados com a segurança. A presença dessas torcidas pode, em algumas situações, levar a confrontos entre torcedores rivais e, também, com os órgãos de segurança. Isso faz com que seja necessária uma coordenação cuidadosa entre autoridades e clubes, garantindo assim a segurança dos jogadores e, é claro, dos próprios torcedores.
As torcidas organizadas, sejam elas tradicionais ou mais efusivas, também têm um papel importante no mercado do futebol. Toda essa paixão e entusiasmo influencia na popularidade dos clubes, seja em Portugal ou nos demais países em que esse tipo de organização existe, como Angola, por exemplo. Por lá, assim como em Portugal, toda essa paixão influencia na criação de novos mercados que abordam o universo esportivo, como a venda de itens oficiais, as apostas online angola e, também, o mercado de transmissões internacionais. Com o mundo globalizado e conectado, não há fronteiras que limitem a exploração do esporte e das torcidas.
Embora reforce pontos importantes da cultura de adoração ao esporte, esse tipo de movimento também enfrenta alguns desafios e críticas. Os principais pontos de atenção dizem respeito a questões de segurança, violência e comportamento que não compactue com os princípios do esporte. Esse tipo de situação contribui para manchar a imagem das torcidas e, consequentemente, afetar a opinião pública em relação a estes grupos. Por isso, é importante que se mantenham as políticas de combate à violência e de reforço as características positivas, entendendo que a adoração ao esporte é muito maior do que qualquer ônus que esse movimento possa trazer.
Por fim, a cultura de torcidas ultras, claques ou outras nomenclaturas encontradas nos demais países, é parte importante da história do futebol europeu. Embora sejam alvo de críticas e tenham alguns desafios pela frente, é inegável que esse tipo de grupo contribuiu para a construção do modo como conhecemos as torcidas atualmente, além, é claro, de enriquecer a experiência do esporte em Portugal. Seu papel, portanto, vai muito além do que torcer pelas equipes. Os ultras representam uma expressão do esporte no país, moldando a atmosfera das partidas e valorizando cada vez mais o esporte nacionalmente.