Hospitais particulares de Uberaba atribuem o problema da superlotação das instituições aos planos de saúde. Nos últimos meses o Jornal da Manhã tem recebido constantes reclamações de pacientes sobre a demora do atendimento nos hospitais particulares da cidade. Situações em que o tempo de espera é semelhante ou maior em relação ao Sistema Único de Saúde. Assim, a reportagem ouviu os principais hospitais da cidade sobre a situação, e as justificativas, em sua maioria, estão relacionadas aos planos.
O Hospital e Maternidade São Domingos tem problemas com lotação há muito tempo, inclusive, no mês de junho do ano passado teve de fechar as portas do pronto-atendimento por falta de leitos. Este ano a medida não precisou ser adotada, mas o hospital está cheio. Em média, no mês de maio foram atendidos, por dia, 190 pacientes, sendo que, no início do ano, eram 140 pessoas ao dia. A primeira explicação dada pelo hospital é o aumento do número de pessoas com plano de saúde.
As informações repassadas pelo Hospital São Marcos também relatam o fácil acesso aos planos de saúde. “As pessoas querem se desvencilhar do SUS, que é um sistema caótico e cheio. Nos últimos tempos o hospital está mais lotado e isso acontece durante todo o ano, com ênfase no período de outono/inverno. Nos últimos três anos o número de atendimentos dobrou”, informa a instituição.
O diretor clínico do Mário Palmério Hospital Universitário, Galvani Salgado Agreli, também relaciona o problema com os planos de saúde. Mas ele acredita que o aumento de pessoas procurando os prontos-atendimentos dos hospitais se dá diante da dificuldade e demora para consultas, mesmo com plano de saúde. “Os clientes nem sempre conseguem acesso rápido aos médicos e, por isso, buscam o pronto-atendimento, passam por uma consulta que pode demorar horas, mas é no mesmo dia, realiza exames e volta para casa com diagnóstico e medicado. Se houve um aumento de pessoas com plano de saúde, isso não posso afirmar, até porque a situação econômica do país não está boa”, explica.
Os profissionais do Hospital São José concordam com Galvani sobre a dificuldade e demora em realizar consultas. De acordo com as informações repassadas, o pronto-atendimento do hospital se tornou um ambulatório, em que pacientes o procuram com dores que estão sentindo há meses. Além disso, afirmam que também houve aumento de pessoas com plano de saúde que, apesar de ter custo alto, querem garantir o atendimento.
Para finalizar, todos também concordaram que um dos motivos são as doenças sazonais, como as respiratórias, no período de tempo seco, e a dengue, nos primeiros meses do ano. O crescimento populacional do município também foi destacado pelo Hospital São José; o envelhecimento das pessoas, que estão atingindo idades mais avançadas, foi outra explicação do Hospital São Marcos.