Em razão dos projetos em execução no município e dos que irão iniciar em 2015, Manoel Neto avalia que o impacto será menor, podendo ter expansão acima das médias mineira e nacional
FOTO/ Jairo Chagas
Manoel Rodrigues Neto não vê perspectivas positivas para 2015 e acredita em arrocho financeiro
A deflagração da Operação Lava-Jato revelou a existência de esquema para o pagamento de propina em obras da Petrobrás. Com o escândalo, conhecido como “Petrolão”, a Polícia Federal revelou a possível participação de diversas empresas no esquema. A Toyo Setal, por exemplo, teve dois de seus executivos presos, os quais contaram sobre o envolvimento da construtora em subornos durante a delação premiada. Trata-se justamente da empresa que venceu a licitação para construir a fábrica de amônia em Uberaba.
Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu), Manoel Rodrigues Neto, a planta de amônia é uma realidade e, por isso, ele não acredita que o escândalo possa interferir na concretização do projeto. “Já temos mais de 400 homens trabalhando. E segundo a empresa, em 2015, teremos quase sete mil trabalhadores, entre diretos e indiretos. O país não vai parar por causa das denúncias, mas é claro, ficaram atentos sobre propostas de aditivos com acréscimos no valor da obra”, afirma.
Questionado sobre a economia brasileira, sobretudo com a mudança da equipe econômica no governo Dilma Rousseff, e governo do PT, com Fernando Pimentel, também em Minas Gerais, o dirigente não vê perspectivas positivas para 2015. “Nossa expectativa é de arrocho financeiro e leve aumento da inflação, não tem como ser diferente, mas Uberaba pode viver um momento um pouco menos traumático, em razão dos investimentos já programados, inclusive em execução. O alinhamento do governo municipal com o estadual e o federal dará grande impulso econômico e de desenvolvimento a Uberaba e região”, justifica Neto.
Para ele, dentro desse contexto é preciso ainda contar com a perspectiva do encarecimento dos produtos de modo geral, em razão da disparada do dólar no fim de 2014. Mesmo assim, ele mantém uma expectativa positiva para o setor no ano que vem. “Teremos um reajustamento geral de preços, mas acredito que em condições controláveis, sem o risco de um nivelamento mais elevado”, explica. No entanto, caso esse quadro persista ao longo de 2015, o impacto para a indústria e o comércio de modo geral será importante. “Teremos investimentos mais tímidos, com crescimento reduzido. Ou seja, o que sempre ocorre com a tendência do ajustamento de preços e, consequentemente, com o aumento da inflação”, frisa.
Em razão dos projetos em execução no município e dos que irão iniciar em 2015, Manoel Neto avalia que o impacto será menor. “Poderemos ter uma expansão acima das médias mineira e nacional”, completa o dirigente.