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Adoçante pode aumentar risco de AVC e causar danos cerebrais, aponta estudo

Pesquisadores descobriram que o eritritol afeta negativamente as células que revestem vasos sanguíneos do cérebro

Jéssica Malta/O Tempo
Publicado em 30/03/2026 às 14:24
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Pesquisadores recomendam que consumidores prestem mais atenção aos rótulos dos produtos e observem os ingredientes (Foto/Freepik)

O nome pode soar desconhecido para muita gente, mas o eritritol é um ingrediente presente em muitos alimentos - que vão desde sorvetes lowcarb a refrigerantes sem álcool. A popularidade do uso do adoçante, porém, pode esconder riscos. É isso o que pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, descobriram.
Segundo o estudo, publicado no "Journal of Applied Physiology", o eritritol afeta negativamente as células que revestem vasos sanguíneos cerebrais, o que pode aumentar o risco de AVC. 
Para chegar à descoberta, a equipe de cientistas expôs células endoteliais microvasculares cerebrais humanas à substância durante três horas. A quantidade utilizada foi similar à encontrada em uma bebida típica sem açúcar. 

Os pesquisadores notaram que as células apresentaram alterações significativas após a exposição. A primeira delas foi a diminuição considerável da produção de óxido nítrico, substância que auxilia os vasos sanguíneos a relaxarem e a dilatarem. Por outro lado, a produção de endotelina-1, composto que provoca o estreitamento dos vasos, aumentou. 

O estudo também observou que as células demonstraram capacidade reduzida de produzir t-PA, um composto natural que ajuda a decompor coágulos, quando expostas à trombina, substância que promove a coagulação. As células tratadas geraram níveis mais elevados de espécies reativas de oxigênio (ERO). Essas substâncias são conhecidas como "radicais livres", que podem danificar células, acelerar o envelhecimento e desencadear inflamação.

"No quadro geral, se seus vasos estão mais contraídos e sua capacidade de decompor coágulos sanguíneos está reduzida, seu risco de AVC aumenta. Nossa pesquisa demonstra não apenas isso, mas como o eritritol tem o potencial de aumentar o risco de AVC”, pontuou Auburn Berry, autora principal e estudante de pós-graduação. 

A pesquisa foi motivada por um estudo anterior, que envolveu 4 mil pessoas nos Estados Unidos e na Europa e apontou que indivíduos com níveis mais elevados de eritritol no sangue apresentavam probabilidade muito maior de sofrer ataque cardíaco ou AVC dentro de três anos.

"Nosso estudo adiciona-se às evidências sugerindo que adoçantes não nutritivos que geralmente foram considerados seguros podem não vir sem consequências negativas para a saúde", destacou Christopher DeSouza, autor sênior do estudo, professor de fisiologia integrativa e diretor do Laboratório de Biologia Vascular Integrativa.

DeSouza apontou que o estudo utilizou apenas uma quantidade equivalente a uma porção de eritritol, ressaltando, portanto, que pessoas que consomem múltiplas porções diariamente poderiam potencialmente enfrentar efeitos maiores. Ele pontuou, porém, que isso ainda precisa ser investigado, mas recomendou que os consumidores prestem mais atenção aos rótulos dos produtos, principalmente verificando o eritritol ou “álcool de açúcar” estão entre os ingredientes. 

“Dado o estudo epidemiológico que inspirou nosso trabalho e agora nossas descobertas celulares, acreditamos que seria prudente que as pessoas monitorassem seu consumo de adoçantes não nutritivos como este”, concluiu DeSouza. 

Fonte: O Tempo

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