ALERTA DE IA

Alunos brasileiros usam IA acima da média, mas escolas ficam para trás

Publicado em 08/09/2026 às 08:32
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Quase metade dos estudantes brasileiros já utiliza ferramentas de inteligência artificial (IA) para realizar atividades escolares. Segundo os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, 48% dos alunos afirmam usar chatbots de IA pelo menos uma vez por semana para tarefas relacionadas aos estudos. O índice é ligeiramente superior à média registrada entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 46%.

Apesar da presença crescente da tecnologia na rotina dos estudantes, as escolas brasileiras ainda apresentam dificuldades para incorporar recursos digitais ao processo de aprendizagem. O Indicador de Capacidade Digital das Escolas, divulgado junto ao Pisa, colocou o Brasil abaixo da média internacional.

O país registrou -0,86 no indicador, enquanto a média da OCDE ficou em -0,03. O índice considera aspectos como a existência de plataformas de ensino on-line, a preparação técnica e pedagógica dos professores, a oferta de recursos para capacitação, os incentivos ao uso de tecnologia e o tempo disponível para que os docentes preparem aulas com ferramentas digitais.

A escala tem como referência zero para a média internacional. Assim, resultados negativos representam uma capacidade digital inferior à média dos países avaliados.

Celular proibido nas escolas

O levantamento também mostra uma forte expansão das restrições ao uso de celulares nas escolas brasileiras. Entre 2022 e 2025, a proporção de estudantes matriculados em instituições que proibiam o uso do aparelho passou de 37% para 81%.

O crescimento foi mais acentuado que o observado na média dos países da OCDE, onde o percentual subiu de 34% para 49% no mesmo período.

A restrição ao celular aparece no estudo como uma das medidas associadas à redução das distrações provocadas por dispositivos digitais durante as aulas. Na média da OCDE, estudantes de escolas que proíbem os aparelhos têm cerca de 13% menos chances de relatar esse tipo de distração.

No Brasil, a política nacional que restringe o uso de celulares por estudantes nas escolas entrou em vigor em janeiro de 2025.

Menos tempo de tecnologia para aprender

Embora os estudantes brasileiros estejam entre os que mais recorrem à inteligência artificial para tarefas escolares, o tempo dedicado ao uso de dispositivos digitais para aprendizagem dentro das escolas é inferior à média internacional.

Os alunos do país passam, em média, 1,3 hora por dia utilizando esses equipamentos para atividades de aprendizagem na escola. Entre os países da OCDE, a média chega a 1,7 hora.

Quando o uso é destinado ao lazer, a diferença diminui: são aproximadamente uma hora diária no Brasil e 1,1 hora na média da OCDE.

Uso da tecnologia também pode afetar desempenho

O Pisa também analisou a relação entre o uso de dispositivos digitais e a concentração dos estudantes. Nas aulas de ciências, 25% dos alunos brasileiros afirmaram se distrair com equipamentos digitais. Na média dos países da OCDE, o percentual é de 28%.

Entre os estudantes brasileiros que relatam esse tipo de distração, o desempenho em ciências é, em média, 19 pontos menor. Nos demais países analisados, a diferença média é de 11 pontos.

O que é o Pisa?

O Pisa é uma avaliação internacional que analisa estudantes de 15 anos matriculados em escolas dos países e economias participantes. A cada edição, uma das áreas avaliadas recebe atenção especial. Em 2025, ciências foi o foco principal.

Além de medir o desempenho acadêmico, a avaliação reúne informações sobre o ambiente escolar, práticas de ensino e uso de tecnologias. Os dados são obtidos por meio de questionários respondidos por estudantes e diretores das escolas.

No indicador de capacidade digital, os resultados brasileiros ficaram distantes dos países com melhor desempenho. Os Emirados Árabes Unidos registraram 0,98, seguidos por Singapura, com 0,91. Na outra ponta, o Quênia teve -1,16.

Na América Latina, o Chile apresentou o melhor resultado da região, com -0,61, ainda abaixo da média da OCDE.

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