MÊS DO ORGULHO

“As pessoas perderam a vergonha de ser preconceituosas”, alerta Coordenadora de Políticas LGBT+

Lucimira Reis afirma que a intolerância ficou mais explícita em Uberaba e se manifesta também no trabalho e na falta de acolhimento

Débora Meira
Publicado em 29/06/2026 às 09:52
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Ainda no mês do Orgulho, a coordenadora de Política LGBT+ da Fundação Cultural de Uberaba, Lucimira Reis, afirmou que o preconceito contra a população LGBTQIAPN+ não necessariamente aumentou, mas se tornou mais explícito. Segundo ela, a comunidade continua enfrentando diferentes formas de violência, que vão desde agressões físicas até discriminação no mercado de trabalho e invalidação de suas vivências. 

Em entrevista ao JM News, Lucimira avaliou que as manifestações de intolerância passaram a ocorrer de forma mais aberta. "O preconceito não é que ele se tornou maior, mas ele está mais aflorado, mais visível. As pessoas perderam a vergonha de serem preconceituosas. O ódio está mais potente e isso é perigoso", afirma. 

De acordo com a coordenadora, a violência contra a população LGBTQIAPN+ nem sempre se manifesta por meio de agressões físicas. Segundo ela, dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, ausência de acolhimento e invalidação das vivências também representam formas de violência. "O desemprego é uma delas. A falta de cuidado, de acolhimento. E a invalidação, que é quando a pessoa tem espaço para falar, mas nada do que ela diz é considerado. Isso também é uma forma de violência muito potente”, pontua. 

Lucimira também afirmou que os impactos do preconceito variam entre os diferentes grupos da comunidade. Segundo ela, mulheres lésbicas enfrentam obstáculos relacionados ao machismo e à exclusão em espaços profissionais, enquanto homens gays convivem com cobranças para esconder comportamentos considerados afeminados. 

Para a coordenadora, a cultura tem papel importante no fortalecimento da identidade e na promoção do respeito à diversidade. Ela destacou que eventos como a Parada Fest oferecem um espaço para que pessoas LGBTQIAPN+ possam se expressar livremente. 

Ao comentar a realidade de Uberaba, Lucimira afirmou que a cidade ainda convive com diferentes formas de preconceito. "Agora, que Uberaba é uma cidade preconceituosa, não resta a menor dúvida. E não é só contra a comunidade LGBT. Quando falamos da luta antirracista, dos direitos das mulheres, estamos falando de preconceitos que ainda existem na sociedade”, conclui.

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