Juiz acatou pedido do Ministério Público para arquivar denúncia de homicídio culposo contra policial militar, visto que foi da arma dele que saiu tiro que vitimou professora
Três homens foram condenados pelo assalto ao bar que culminou na morte da professora Natalya Dayrell de Carvalho. A decisão foi proferida pelo juiz Ricardo Cavalcante Motta, da 1ª Vara Criminal. O crime ocorreu na noite de 1º de outubro de 2013, no bairro Abadia. Os irmãos Lucas Gonçalves de Sousa e Maycon Henrique Gonçalves de Sousa, além de Rodrigo Matheus de Lima Fonseca, cumprirão pena de mais de oitenta e oito anos de prisão.
A professora estava em um bar na rua Castro Alves quando dois homens - Lucas e Rodrigo - anunciaram o assalto. O primeiro pegava os pertences das vítimas, enquanto o segundo, com arma de fogo, ameaçava as vítimas. A professora, na tentativa de se proteger, correu para a rua Maestro José Maria, um quarteirão abaixo do bar, e se escondeu atrás de um carro. Depois de roubarem nove pessoas, inclusive o policial militar L.S.O., Rodrigo efetuou dois disparos em direção ao bar. Foi neste momento que o policial sacou a pistola, deu ordem de prisão para ambos, que fugiram. Ele disparou várias vezes em direção aos assaltantes, e um dos projéteis matou a professora, que se escondeu atrás do carro dos assaltantes O veículo e a arma de fogo eram de propriedade de Maycon – também denunciado pelo crime.
Lucas e Rodrigo foram reconhecidos pelas vítimas, inclusive pelo policial militar. Para o juiz, a materialidade e a autoria ficaram evidenciadas nos depoimentos das vítimas, que descreverem todo “modus operandi” da ação criminosa. Além disso, ele aponta que o terceiro denunciado, Maycon, tinha conhecimento do crime e teria agido e “conluio” e “vínculo psicológico” com os outros dois criminosos e, por isso, também foi condenado na ação penal. Segundo os autos, Maycon tentou modificar o veículo, para dificultar a identificação do mesmo nas investigações. Cada um deles recebeu pena de vinte nove anos e seis meses de prisão em regime fechado. Na sentença, o juiz ainda acatou o pedido do Ministério Público para arquivar a denúncia de homicídio culposo contra o policial militar, visto que foi da arma dele que saiu o projétil que vitimou a professora. Para Motta, a morte de Natalya foi resultado da violência empregada no crime praticado pelos três assaltantes.