O preço da arroba do boi gordo registrou aumento já nos primeiros dias do ano. Enquanto no dia 22 de dezembro do ano passado o preço à vista da arroba era R$135, agora pode chegar a ser comercializado à R$138 em Minas Gerais.
Para o diretor de um frigorífico na cidade, Romeu Costa Teles, o aumento se dá em função da lei da oferta e procura. “Diminui a oferta e naturalmente acaba aumentando o preço. Estamos estimulando a substituição pela carne suína, que está bem mais barata. Mas, infelizmente o povo não tem esse costume, apesar de ser uma carne tão saudável quanto a de vaca e uma das mais consumidas no mundo”, explicou.
Romeu destaca que o período chuvoso e as condições do pasto, teoricamente, não justificariam a elevação do preço da arroba. “Não é natural é subir o preço do gado. Porém, a nossa região está invadida com a cana e outras culturas, deixando a oferta cada vez mais escassa. Temos que ir buscar em um mercado mais longe, encarecendo o produto cada vez mais”, lamenta o diretor, que acrescenta a invasão dos frigoríficos maiores de grandes cidades no mercado regional.
Ainda segundo Romeu, as pessoas tendem a trocar a carne de primeira, mais nobre, por uma carne de segunda em janeiro, justamente por conta dos investimentos de início de ano. “É uma troca natural. Nesta época as pessoas têm muitos custos, como IPVA, matrícula e material escolar. Naturalmente, após o dia 10 e 15 de janeiro, as pessoas procuram por uma carne mais barata”, destaca.
Restaurantes tentam segurar o aumento para o consumidor
Está cada vez mais difícil para os proprietários de estabelecimentos segurarem os aumentos para o consumidor. Como se não bastassem os aumentos nas contas de água e luz, agora, os empresários precisam driblar a elevação no preço da arroba do boi.
“As verduras, como batata, cebola e tomate, também tiveram alta. O frango e a carne bovina subiram muito o preço, só a carne suína que não. Principalmente, as peças de primeira, porque nós usamos para assar a de primeira, já que as outras são carnes mais duras”, lamenta o gerente de uma churrascaria na cidade, Nédio Silva.
A opção adotada pelo estabelecimento é segurar o preço final para o consumidor por mais algum tempo. “Vamos esperar para ver se os preços vão reduzir. Nós aqui não repassamos o preço, estamos desde julho do ano passado com o mesmo valor. Agora também iremos segurar porque é uma época que não tem muito movimento por causa das férias”, afirma.
Segundo Nédio, a alternativa é contar com a ajuda dos funcionários e economizar. “Tem que tentar a economizar e não deixar desperdiçar. Estamos diminuindo os custos com energia, limpeza e contamos com auxílio dos funcionários para isso. Então, vamos tentar segurar os preços até passar o carnaval, que costuma ser nesta época que o movimento começa a engrenar”, acredita.