CRÍTICA

'Branca de Neve' estreia nesta quinta já desgastado pelas polêmicas

Live-action de obra clássica era uma das grandes apostas das Disney, mas acabou se vendo cercado por controvérsias

Laura Maria/O Tempo
Publicado em 20/03/2025 às 15:30
Compartilhar
Anões de 'Branca de Neve' foram criados em CGI (Foto/Disney/divulgação)

Anões de 'Branca de Neve' foram criados em CGI (Foto/Disney/divulgação)

Bem antes de estrear, muito já se falava sobre a versão live-action de “A Branca de Neve”, que chega às telonas nesta quinta-feira (20 de março). O debate, porém, passou longe da produção em si. O que entrou em pauta foi uma série de polêmicas acerca da nova montagem da Disney.

Incluem aí a escolha de usar computação gráfica para representar os sete anões, a escalação de uma atriz latina para interpretar uma princesa de origem caucasiana e um aparente clima hostil nos bastidores entre as atrizes principais do filme, Rachel Zegler e Gal Gadot, em função de posicionamentos distintos sobre a guerra entre israelenses e palestinos na faixa de Gaza. 

Para completar, Rachel chegou a dizer que a história da Branca de Neve era “datada” e que o príncipe “literalmente persegue a princesa”, dando a entender uma suposta aversão ao conto dos irmãos Grimm.

Em função de todo esse (mau) burburinho, o longa-metragem musical – uma das maiores apostas da Disney para este ano –, já estreia com uma imagem desgastada, mesmo que o resultado seja de um enredo envolvente na maior parte do tempo, com uma ótima atuação de Rachel Zegler, a Branca de Neve.

O longa-metragem de Mark Webb (“O Espetacular Homem Aranha” e “500 Dias com Ela”) ainda conta com uma bela fotografia e com um roteiro bem estruturado.

Vale destacar que a produção modifica pontos da primeira obra considerados ultrapassados para 2025 – mas é importante mencionar que o filme de 1937, o primeiro longa-metragem de animação do estúdio, foi um marco à época para o cinema de animação.

Logo em um de seus primeiros takes, a Branca de Neve original canta que seu maior sonho é encontrar um grande amor e morde a maçã com o desejo ser levada por ele para um castelo encantado. Mas na trama dirigida por Webb, a princesa assume um ar empoderado, e uma de suas maiores aspirações é se tornar uma líder “verdadeira, destemida, corajosa e justa”, como o filme faz questão de reafirmar repetidas vezes. 

Não que não haja amor romântico. Mas na montagem que estreia agora o príncipe de Branca de Neve perde a aura de encantado e assume um papel secundário de um ladrãozinho egoísta. Além disso, a personagem de Rachel Zegler não está interessada em ser a “mãezinha” dos anões que encontra na floresta e age mais como uma guia e parceira deles. 

E se no filme original Branca de Neve com ajuda dos animais da floresta para arrumar a pequena e desorganizada casa dos sete anões, neste, são os homenzinhos que ajeitam a própria bagunça ao som dos assovios de comandos da princesa. 

E por falar neles… A representação dos anões talvez tenha sido ponto alto em meio às polêmicas que rondam o filme. Após Peter Dinklage, ator com nanismo de “Game of Thrones”, criticar o projeto do longa-metragem bem antes de qualquer detalhe ser conhecido, a Disney anunciou que, para evitar “reforçar estereótipos do filme de animação original”, faria uma abordagem diferente da original. Inicialmente, a produtora deu a entender que substituiria os personagens por seres místicos da floresta.

Depois, decidiu que um único ator com nanismo, Martin Klebba (que dubla o Zangado), representaria todos os sete. 

Por fim, produtora optou por usar CGI (“computer-generated imagery”, ou imagens geradas por computador, no português) para representá-los. Na nova montagem, todos mantiveram os nomes e características iguais ao do filme original, mas não se pode dizer que o uso de CGI foi uma boa solução: em alguns momentos, é clara a desproporção da Branca de Neve em relação a eles ou a voz dos personagens soa um tanto quanto artificial, especialmente a de Dunga – que, mudo na primeiro filme, agora fala na nova montagem.

Para completar, a interação entre Branca de Neve e os sete anões, muito presente primeiro filme, perde força ao ser dividida com guerreiros da floresta que lutam em nome do Rei, momento este, a propósito, que pouco ou nada acrescenta à trama.

Um ponto positivo para a obra de 2025 é dar mais detalhes da relação de Branca de Neve com a Rainha Má e pontuar os motivos que explicam o comportamento das duas.

Ao contrário da obra original, que não aprofunda no passado da princesa e faz dela um ser indefeso à espera de um salvador, o filme de Mark Webb, com roteiro de Greta Gerwig e Erin Cressida Wilson, evidencia os motivos de a princesa desejar ser uma boa líder que pensa em ações que possam favorecer o povo que governa, mesmo que seja com a distribuição de tortas de maçã. 

Os fãs mais aguerridos do primeiro longa-metragem de animação da Disney podem torcer o nariz para a nova obra, mas também seria injusto dizer que o filme de agora também não tenha os seus méritos.

Fonte: O Tempo

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2025Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por