107ª POSIÇÃO

Brasil mantém pior posição em ranking global de corrupção

Publicado em 10/02/2026 às 08:53
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O Brasil manteve em 2025 sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela ONG Transparência Internacional. O país ficou na 107ª posição entre 182 países e territórios, com 35 pontos em uma escala que vai de 0 a 100 — quanto maior a pontuação, maior a percepção de integridade no setor público.

Em relação a 2024, quando registrou 34 pontos — o pior resultado da série histórica — houve aumento de apenas um ponto. A variação, segundo a organização, não é estatisticamente relevante e indica estagnação. A posição no ranking permaneceu inalterada.

Com esse desempenho, o Brasil continua abaixo da média global e da média das Américas, ambas de 42 pontos.

Desde 2012, início da série comparável, as melhores pontuações brasileiras foram em 2012 e 2014, com 43 pontos. Os piores resultados ocorreram em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos) e 2023 (36 pontos).

Em 2025, o Brasil empatou com o Sri Lanka, que também somou 35 pontos. Argentina, Belize e Ucrânia ficaram um ponto acima, enquanto Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malaui, Nepal e Serra Leoa obtiveram um ponto a menos.

O topo do ranking é ocupado por Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84). Na outra extremidade estão Somália e Sudão do Sul, com 9 pontos cada, e Venezuela, com 10.

O IPC é calculado a partir de até 13 indicadores independentes baseados na percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre corrupção no setor público. Entre as práticas avaliadas estão suborno, desvio de recursos públicos, uso do cargo para benefício privado e nepotismo.

Para o diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, o país “chocou o mundo” com casos de macrocorrupção em escala inédita, citando episódios como os envolvendo o INSS e o Banco Master, além da impunidade e de condutas consideradas desmoralizantes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Paralelamente ao índice, a entidade divulgou o relatório Retrospectiva 2025, que aponta o agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, especialmente por meio do sistema financeiro e da advocacia.

No Executivo, o documento critica a resposta do governo às fraudes no INSS e aponta o que classifica como silêncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre corrupção. Segundo a ONG, em 230 pronunciamentos feitos em 2025, o termo foi mencionado apenas 13 vezes, muitas delas de forma irônica em relação a denúncias.

No Legislativo, o relatório questiona o aumento do volume de emendas parlamentares e mudanças na Lei da Ficha Limpa que permitem o retorno antecipado de políticos condenados às eleições.

No Judiciário, são citados o caso Banco Master e suspeitas envolvendo os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Sobre Moraes, o relatório menciona um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa. Em relação a Toffoli, destaca a avocação da relatoria do caso, o decreto de sigilo, uma viagem em jato particular com advogado ligado ao banco e negócios imobiliários de familiares com aportes de fundos relacionados ao Master e à JBS.

Entre os pontos positivos, a Transparência Internacional destaca a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que investiga a atuação do PCC na economia formal, inclusive no mercado financeiro. A ação é apontada como uma mudança de paradigma no uso de inteligência financeira contra o crime organizado.

O relatório também menciona como avanço a responsabilização de lideranças políticas e militares pelos ataques à democracia, incluindo a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados pela tentativa de golpe em 2022, além de decisões do STF para ampliar o controle sobre emendas parlamentares e a rejeição da chamada PEC da Blindagem no Senado.

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