Médico alerta para complicações hormonais, cardiovasculares, hepáticas e psicológicas
O uso de anabolizantes entre jovens tem preocupado médicos pelos riscos cada vez mais frequentes de complicações graves à saúde, incluindo problemas cardíacos, alterações hormonais e até morte súbita. O debate voltou à tona após a morte do influenciador fitness e fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, que falava abertamente sobre o uso de substâncias para o fortalecimento do físico.
O médico nutrólogo Eduardo Oliveira afirma que o uso dessas substâncias vem crescendo principalmente entre adolescentes e jovens adultos, impulsionado pela pressão estética, pelas redes sociais e pela busca por resultados rápidos no corpo. “O jovem passa a acreditar que treino e dieta não são suficientes e busca atalhos. O problema é que esses atalhos podem custar saúde, fertilidade, função hormonal e até a vida”, alerta.
Segundo o especialista, a exposição constante a padrões físicos considerados ideais faz com que muitos jovens recorram a hormônios sintéticos sem compreender os riscos envolvidos. Muitas vezes sem o acompanhamento de um profissional qualificado. Ele destaca que influenciadores fitness acabam incentivando esse comportamento, muitas vezes de forma indireta. “Quando se vende a ideia de um corpo extremamente musculoso, seco e rápido como algo natural ou facilmente alcançável, cria-se uma expectativa irreal”, afirma.
O médico explica que os efeitos do uso indiscriminado de anabolizantes vão muito além das mudanças estéticas. Entre as complicações estão hipertensão, lesões hepáticas, infertilidade, trombose, ansiedade, depressão, dependência psicológica e problemas cardiovasculares graves. “Mesmo pessoas jovens, treinadas e aparentemente saudáveis podem desenvolver arritmias, hipertrofia cardíaca, infarto, AVC ou morte súbita relacionados ao uso de anabolizantes”, ressalta.
Eduardo Oliveira também diferencia a reposição hormonal legítima do uso voltado exclusivamente para fins estéticos. Segundo ele, tratamentos hormonais só devem ocorrer em casos de deficiência comprovada, com indicação médica e acompanhamento adequado. “Uma coisa é tratar uma doença; outra é expor uma pessoa saudável a risco para acelerar resultado estético”, pontua.
Outro fator que preocupa, de acordo com o nutrólogo, é a facilidade de acesso às substâncias, muitas vezes comercializadas sem controle ou adquiridas clandestinamente. Ele lembra ainda que o Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de esteroides anabolizantes para fins exclusivamente estéticos ou de melhora de desempenho físico.
Para o especialista, a busca imediata por resultados acaba fazendo muitos jovens ignorarem consequências que podem ser permanentes. “Corpo bonito não pode ser construído destruindo coração, fígado, fertilidade e saúde mental. Resultado sustentável vem de treino bem feito, alimentação, sono, acompanhamento sério e tempo”, conclui.