Levantamento da Meta aponta que seis pré-candidatos desembolsaram R$ 164,5 mil em publicidade no Facebook e Instagram entre maio e agosto
(Foto/Reprodução)
O governador Mateus Simões (PSD) concentra a maior parte dos investimentos em anúncios no Facebook e Instagram entre os candidatos ao governo de Minas Gerais. Levantamento realizado na Biblioteca de Anúncios da Meta mostra que seis nomes gastaram juntos R$ 164,5 mil entre 5 de maio e 2 de agosto de 2026. Desse total, R$ 142 mil foram destinados a anúncios ligados a Simões, o equivalente a 86% do montante.
Na sequência aparecem Gabriel Azevedo (MDB), com R$ 13,4 mil; Patrus Ananias (PT), com R$ 8 mil; e Alexandre Kalil (PDT), com R$ 1,1 mil. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o empresário Flávio Roscoe (PL) não apresentaram registros de gastos com anúncios na plataforma no período analisado.
O levantamento considera o período de articulações que antecedeu as convenções partidárias, encerradas em 5 de agosto. O prazo para o registro das candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) termina em 15 de agosto.
Outros cinco nomes — Ben Mendes (Missão), Henrique Áreas (PCO), Indira Xavier (UP), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB) — não aparecem no levantamento porque não foram localizados na busca disponibilizada pela Meta.
Investimento é permitido na pré-campanha
O impulsionamento de conteúdos nas redes sociais durante a pré-campanha é permitido pela legislação eleitoral, desde que algumas regras sejam respeitadas.
Segundo o advogado Fabrício Duarte, especialista em direito eleitoral, o impulsionamento pode ser realizado pelo próprio pré-candidato, como pessoa física, ou pelo partido, utilizando recursos da legenda.
A publicidade precisa identificar claramente quem está financiando o anúncio. Os gastos também devem ser proporcionais e moderados. Não existe, porém, um valor máximo estabelecido pela Justiça Eleitoral para esse tipo de investimento durante a pré-campanha.
Disputa também envolve reconhecimento dos candidatos
Para o especialista em marketing político Gabriel Galvão, o investimento em publicidade digital é uma das ferramentas utilizadas pelos candidatos para ampliar a exposição e apresentar suas propostas.
Ele destaca que, em um estado com 853 municípios e mais de 21 milhões de habitantes, a comunicação digital permite que os candidatos alcancem eleitores em diferentes regiões.
Segundo Galvão, antes mesmo da disputa pelo voto existe uma disputa pelo reconhecimento dos nomes. Pesquisas realizadas durante o período pré-eleitoral apontaram níveis elevados de desconhecimento entre alguns dos candidatos testados.
Nesse cenário, os anúncios podem ser utilizados para apresentar a trajetória dos políticos, defender ideias e aumentar a familiaridade do eleitor com determinado nome.
O especialista ressalta, porém, que um investimento maior, por si só, não representa vantagem eleitoral. Para identificar se uma publicidade está dentro da lógica da pré-campanha ou se ultrapassa os limites legais, é necessário observar o conteúdo divulgado, o público alcançado e a finalidade da comunicação.
Quanto cada candidato investiu
Candidatos explicam gastos
A assessoria de Alexandre Kalil afirmou que o valor atribuído ao candidato foi investido pelo PDT para impulsionar conteúdos sobre o ex-prefeito antes do início oficial da campanha.
A equipe de Gabriel Azevedo informou que os anúncios são pagos com recursos próprios e têm como foco conteúdos relacionados a Minas Gerais e à atuação partidária, sem pedido de voto ou divulgação de número de urna.
Mateus Simões afirmou que os impulsionamentos realizados em seu perfil pessoal foram pagos integralmente com recursos próprios e estão identificados na Biblioteca de Anúncios da Meta.
A equipe de Patrus Ananias informou que, até 6 de junho, os anúncios eram pagos com verba destinada à divulgação parlamentar e das atividades do mandato. Depois dessa data, segundo a assessoria, os conteúdos passaram a ser financiados exclusivamente com recursos próprios.
No caso de Cleitinho Azevedo e Flávio Roscoe, a consulta à plataforma não identificou registros de impulsionamentos nas redes sociais dos dois políticos durante o período analisado.