Ataques a infraestruturas energéticas e incertezas geopolíticas pressionam mercado e podem impactar combustíveis e alimentos
Os conflitos recentes no Oriente Médio seguem pressionando o mercado global de petróleo, com efeitos que devem persistir mesmo diante de uma possível reabertura do Estreito de Ormuz. A avaliação é do professor de Geopolítica da UFRJ, Fernando Brancoli.
Segundo o especialista, a retomada do fluxo de embarcações na região não será suficiente para reduzir os preços no curto prazo. Isso porque ataques a instalações de produção de energia já começaram a afetar diretamente a oferta global, o que tende a sustentar os valores em patamares elevados.
Brancoli também apontou inconsistências nas justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para ações militares contra instalações iranianas. De acordo com ele, há contradições entre declarações do presidente Donald Trump e informações divulgadas por órgãos de inteligência durante audiências no Congresso norte-americano.
Para o professor, as explicações sobre os objetivos das operações variaram ao longo do tempo, incluindo alegações sobre a destruição da capacidade iraniana de enriquecimento de urânio, o que evidencia falta de clareza nas bases que sustentaram as ações.
O cenário, segundo Brancoli, pode trazer impactos econômicos mais amplos. Entre eles, a tendência de alta nos preços do diesel e dos alimentos nos Estados Unidos, reflexo direto das tensões energéticas e logísticas.
Além disso, o especialista destacou que o contexto geopolítico se torna ainda mais complexo com a proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro, quando pode haver mudanças na composição do Congresso e nas lideranças políticas do país.