Caso é investigado como feminicídio no Distrito Federal, após militar ser morta e o local incendiado dentro do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas
Familiares e colegas lamentam a morte da militar, enquanto a polícia trabalha para esclarecer o que aconteceu. (Foto/Reprodução)
O Exército investiga a morte de Maria de Lourdes Freire Matos, cabo e integrante da banda do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, cujo corpo foi localizado carbonizado na tarde de sexta-feira (5), após um incêndio em uma das dependências do quartel, no Distrito Federal. A corporação confirmou que um soldado, também lotado na unidade, admitiu ter cometido o crime.
Em depoimento, o militar afirmou que discutiu com a vítima no ambiente destinado às atividades da banda. Segundo seu relato, Maria de Lourdes teria sacado a arma de fogo durante o desentendimento, momento em que ele a atacou com uma faca no pescoço. Em seguida, ainda conforme a versão apresentada à polícia, o soldado ateou fogo ao local.
Após confessar o homicídio, o suspeito foi detido e conduzido ao Batalhão de Polícia do Exército em Brasília. Ele deverá ser desligado da Força e responderá por feminicídio e outros crimes, incluindo incêndio, furto de arma e fraude processual — acusações que, somadas, podem resultar em pena superior a 40 anos de prisão. O Corpo de Bombeiros informou ter controlado as chamas rapidamente, sem detalhar se houve outras vítimas.
Família contesta versão do soldado e aponta possível perseguição
A família de Maria de Lourdes Freire, de 25 anos, rejeitou a narrativa apresentada pelo suspeito. Para os parentes, a justificativa de que o crime teria sido motivado por um suposto envolvimento extraconjugal não corresponde à realidade. Um primo da militar afirmou que não existia qualquer relação entre ela e o militar suspeito e levantou a hipótese de que a jovem vinha sendo alvo de assédio ou perseguição dentro da unidade.
Relatos de colegas do quartel obtidos pela reportagem reforçam essa percepção. Segundo eles, o soldado aparentava ser prestativo, mas se aproveitava de militares recém-chegados. Maria de Lourdes estava no Exército havia apenas cinco meses.
A vítima foi localizada já sem vida e com o corpo carbonizado dentro do prédio onde ocorreu o incêndio. A ocorrência foi registrada pelo Corpo de Bombeiros por volta das 16h, que foi acionado para controlar as chamas no interior do 1º Regimento.