No aniversário de 46 anos do PT, presidente Lula afirmou que o partido não pode esperar o apoio de pastores e deve se dirigir diretamente à população evangélica
Líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou declaração do presidente Lula (PT) sobre disputa pelo voto da população evangélica nas eleições (Foto/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
BRASÍLIA - A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a população evangélica irritou o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), que atacou o petista por "usar o Estado para tentar comprar consciência". Durante o aniversário de 46 anos do PT, na Bahia, Lula afirmou que o partido não pode esperar o apoio direto de pastores e precisa se dirigir diretamente à população evangélica.
"Os evangélicos votam uns contra os outros. O quê que nós fazemos? 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo. O que nós precisamos não é esperar que um pastor fale bem de nós. Nós temos que ir lá. Nós temos que conversar", declarou no encerramento da cerimônia de aniversário no sábado (7). O número apresentado pelo presidente é contestado por Sóstenes, que também criticou o partido por "não entender nada sobre os evangélicos".
"Vocês vivem querendo se aproximar dos evangélicos e não conseguem. Evangélico tem princípios, evangélico tem valores, e um deles é respeitar as autoridades", afirmou o deputado que é pastor. "Hoje você falar 'não ouve os pastores'.... É por esse tipo de discurso que vocês nunca mais terão os evangélicos votando com vocês', prosseguiu. "Vocês são muito, muito burros e não entendem nada sobre os evangélicos. Evangélicos têm princípios, e um deles é a honra a seu pastor", acrescentou.
Em outra publicação, o líder do PL atacou o presidente por 'reduzir fé a benefícios'. "Quem precisa trocar dinheiro público por voto teme um povo livre, informado e guiado por valores", afirmou. Sóstenes também refutou a relação feita por Lula entre conquista de votos e concessão de benefícios sociais. "Auxílio não dá direito a submissão. Programa social não compra caráter", expôs.
A cobrança de Lula pelo avanço do PT entre a população evangélica é antiga. O presidente já exigia, na eleição passada, uma aproximação entre o partido e o grupo. Alguns acenos foram feitos nesse mandato. Em dezembro, ele assinou um decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional. O presidente também indicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o advogado-geral da União Jorge Messias, sabidamente evangélico e com trânsito entre representantes da bancada evangélica no Congresso.
Fonte/O Tempo