ORÇAMENTO APERTADO

Endividamento atinge 82% das famílias brasileiras em agosto

Percentual permanece em nível recorde pelo sétimo mês consecutivo, enquanto inadimplência sobe para 29,9% e tempo médio de atraso chega a 65 dias

Publicado em 16/09/2026 às 10:19
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O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 82% em agosto, mantendo o maior patamar da série histórica pelo sétimo mês consecutivo. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O índice ficou estável em relação a julho, mas a situação financeira de parte dos consumidores piorou. A inadimplência avançou para 29,9%, ante 29,8% no mês anterior.

Outro indicador que chama atenção é o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar as contas atrasadas. O índice chegou a 12,5%, maior nível desde fevereiro.

Dívidas pesam mais entre famílias de menor renda

O cenário é ainda mais pressionado entre as famílias que recebem até três salários mínimos. Nesse grupo, 85,1% declararam ter dívidas e 38,8% estavam com contas atrasadas em agosto.

Também aumentou para 18,3% a parcela dessas famílias que afirmou não ter condições de quitar as pendências. Segundo a CNC, esse foi o único grupo de renda que apresentou avanço da inadimplência no mês.

Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento ficou em 72,3%, enquanto a inadimplência recuou para 14,9%.

Atrasos ficam mais longos

O tempo médio de atraso das contas também aumentou. Em agosto, chegou a 65 dias, interrompendo uma sequência de três meses de melhora.

A parcela de devedores com contas atrasadas entre 30 e 90 dias alcançou 29,1%, maior percentual desde agosto do ano passado.

Além disso, 19,2% das famílias afirmaram comprometer mais da metade da renda com o pagamento de dívidas. Apesar disso, o comprometimento médio da renda permaneceu em 29,5%.

Cartão de crédito aparece entre as principais dívidas

Entre as modalidades consideradas pela pesquisa estão cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos.

A CNC destaca que estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente. O indicador inclui famílias que possuem compromissos financeiros a vencer. A situação passa a ser mais preocupante quando os pagamentos começam a atrasar ou comprometem uma parcela elevada da renda.

Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a maior dependência do crédito entre famílias de menor renda ajuda a explicar a permanência do endividamento em patamar elevado.

O levantamento da Peic é realizado mensalmente com famílias de todo o país e acompanha tanto o nível de endividamento quanto os atrasos e a capacidade de pagamento dos consumidores.

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