MUDANÇAS NO PLANETA

Estudo indica que núcleo interno da Terra pode ter desacelerado ou até invertido rotação

Pesquisa da Universidade de Pequim aponta que mudança pode fazer parte de um ciclo natural de cerca de 70 anos no interior do planeta

Publicado em 15/03/2026 às 21:14
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Estrutura do núcleo da Terra. (Foto/Reprodução)

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim voltou a ganhar repercussão nas redes sociais ao sugerir que o núcleo interno da Terra pode ter desacelerado significativamente sua rotação — e até mesmo passado a girar no sentido oposto.

A pesquisa, que já havia sido destacada pela imprensa em janeiro de 2023, analisa dados sísmicos coletados ao longo de várias décadas. Segundo os autores, registros recentes indicam que o movimento do núcleo interno pode ter praticamente cessado por volta de 2009.

Os cientistas Yi Yang, pesquisador associado, e Xiaodong Song, professor da universidade chinesa, analisaram ondas sísmicas geradas por terremotos que atravessaram o interior do planeta desde a década de 1960. Ao comparar trajetórias semelhantes dessas ondas ao longo do tempo, eles conseguiram estimar a velocidade de rotação do núcleo interno.

A estrutura da Terra é composta por diferentes camadas: crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno. Este último, sólido, está localizado a aproximadamente 5.100 quilômetros abaixo da superfície e é separado do manto semissólido por uma camada líquida — o núcleo externo — que permite que o núcleo interno gire a uma velocidade diferente da rotação do planeta.

Com cerca de 3.500 quilômetros de raio — dimensão semelhante à do planeta Marte — o núcleo terrestre é formado principalmente por ferro e níquel e concentra aproximadamente um terço da massa total da Terra.

Indícios de mudança na rotação

De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos foram inesperados. Até cerca de 2009, os registros sísmicos apresentavam variações ao longo do tempo. A partir desse período, porém, essas diferenças praticamente desapareceram, indicando que a rotação do núcleo interno teria desacelerado de forma significativa.

No estudo, os autores afirmam que as observações sugerem que o núcleo interno “quase interrompeu sua rotação na última década e pode estar passando por um processo de retrocesso”.

Segundo Song, enquanto entre as décadas de 1980 e 1990 era possível observar mudanças claras nos registros sísmicos, dados mais recentes — especialmente entre 2010 e 2020 — mostram pouca variação.

A rotação do núcleo interno é influenciada pelo campo magnético produzido no núcleo externo e também pelas forças gravitacionais exercidas pelo manto. Compreender esse movimento ajuda os cientistas a entender melhor a interação entre as camadas profundas do planeta.

Debate científico

Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que ainda há debate na comunidade científica sobre a velocidade e as possíveis variações da rotação do núcleo interno.

O geofísico Hrvoje Tkalcic, da Universidade Nacional Australiana, que não participou do estudo, afirma que o núcleo interno não chega a parar completamente. Segundo ele, os dados indicam apenas que o movimento pode ter se tornado mais sincronizado com a rotação do restante do planeta.

O pesquisador também destaca que não há motivo para alarme. “Nada de catastrófico está acontecendo”, afirmou.

Possível ciclo natural

Com base em seus cálculos, Yang e Song sugerem que pequenas mudanças no equilíbrio entre forças eletromagnéticas e gravitacionais podem reduzir a velocidade do núcleo interno e até provocar uma inversão temporária do movimento.

Eles defendem que esse processo faria parte de um ciclo natural de aproximadamente 70 anos. De acordo com o estudo, uma mudança semelhante teria ocorrido anteriormente no início da década de 1970.

Já Tkalcic considera que esse ciclo pode ser mais curto, possivelmente entre 20 e 30 anos. Para ele, compreender com precisão o comportamento do núcleo é um desafio, já que essas estruturas estão localizadas a milhares de quilômetros abaixo da superfície.

O cientista compara o trabalho dos sismólogos ao de médicos que tentam analisar órgãos internos com equipamentos limitados. Por isso, ressalta que novas pesquisas e diferentes métodos de investigação ainda são necessários para confirmar as hipóteses sobre o funcionamento do interior do planeta.

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