
Fed preferiu manter taxa de juros nos EUA, frente às novas incertezas (Foto/Pixabay)
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (18) manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% pela segunda reunião consecutiva. A medida ocorre em meio à guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo ao maior patamar em quatro anos e provoca efeitos na inflação, desemprego e custo de vida no país.
A decisão já era prevista por analistas, que agora aguardam o comunicado de política monetária para entender a postura do Fed frente ao conflito, ainda sem previsão de término. O preço do petróleo subiu significativamente, atingindo US$ 109,95 o barril de Brent nesta quarta-feira, e os combustíveis nos EUA, como gasolina e diesel, registraram alta superior a 25% em comparação com o período pré-guerra.
Além do setor de combustíveis, empresas aéreas alertam para aumento no custo das viagens devido ao preço do combustível de aviação. Autoridades da Casa Branca também buscam novas fontes de fertilizantes agrícolas para minimizar impactos no preço dos alimentos. O consumidor norte-americano enfrenta preços mais altos, podendo reduzir gastos ou adiar compras, enquanto parceiros comerciais na Europa lidam com choque inflacionário ainda mais intenso.
Os dados econômicos mais recentes mostram que a inflação desacelerou em janeiro, mas o índice acumulado em 12 meses subiu de 2,8% para 2,9%. O desemprego aumentou para 4,4% em fevereiro, com a perda de 92 mil postos de trabalho no mês.
Especialistas apontam que os impactos domésticos e globais dependerão da duração da guerra, da configuração política que se estabelecer no Irã e da evolução do preço do petróleo, que pode recuar para níveis abaixo de US$ 80 por barril ou se manter acima de US$ 100. Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, destacou que a situação cria cenário estagflacionário, com expectativa de aumento de inflação e desemprego ao longo de 2026, gerando divergência entre integrantes do Fed sobre futuras taxas de juros.
O conflito no Irã representa o segundo choque estagflacionário recente para os EUA, após as medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump no ano anterior, que também afetaram crescimento e preços. Embora o impacto inicial das tarifas não tenha sido tão severo, o repasse de custos mais altos às empresas ainda é observado, fazendo com que o Fed avalie a necessidade de manutenção ou aumento de juros em vez de cortes.