Retirado ilegalmente do Ceará há mais de 30 anos, exemplar do Irritator challengeri é considerado um dos mais importantes do mundo
Acordo entre Brasil e Alemanha prevê a devolução do fóssil do dinossauro retirado ilegalmente do Ceará há mais de 30 anos (Foto/Kabacchi/CC/Wikipédia)
O governo do Brasil e o da Alemanha assinaram um acordo em abril para viabilizar a repatriação do fóssil do dinossauro Irritator challengeri. A peça científica foi extraída ilegalmente da Chapada do Araripe, no Ceará, e levada ao exterior há mais de três décadas. O tratado diplomático atende a uma demanda contínua de pesquisadores pela devolução do patrimônio nacional.
A declaração conjunta formaliza a disposição do Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, instituição que abriga o material desde 1991, em devolver o espécime. O animal carnívoro, que habitou o sertão cearense há cerca de 110 milhões de anos no período Cretáceo, possui o crânio de espinossaurídeo mais completo já registrado no mundo.
Tráfico paleontológico e origem do nome
A saída da relíquia do país ocorreu por meio do contrabando internacional de peças arqueológicas. Antes de ser adquirido pelo museu europeu, o crânio foi adulterado por criminosos com materiais como gesso e massa. A fraude tinha como objetivo principal inflacionar o valor da estrutura no mercado clandestino.
Ao iniciarem os estudos da espécie em 1996, os cientistas relataram grande irritação ao descobrir a manipulação da estrutura, o que acabou inspirando o nome Irritator. Já o segundo termo, challengeri, funciona como uma homenagem ao professor Challenger, protagonista do romance "O Mundo Perdido", do escritor Arthur Conan Doyle.
Pressão científica e legislação nacional
A mobilização pela repatriação ganhou força após o sucesso da devolução do Ubirajara jubatus, outro fóssil cearense resgatado em 2023. Desde esse episódio, a comunidade acadêmica brasileira aumentou a pressão sobre autoridades estrangeiras, articulando petições e manifestos para recuperar o artefato alojado na cidade de Stuttgart.
Desde 1942, a lei federal determina que todos os fósseis encontrados no território brasileiro são bens inalienáveis da União. A regulamentação proíbe a comercialização das peças por entes privados, exigindo autorização do governo e parceria com institutos de pesquisa nacionais para qualquer exportação ou estudo. A expectativa agora é que o material seja reintegrado ao acervo de um museu no estado de origem.
Fonte: O Tempo