A cifra considera o pagamento de passagens aéreas nacionais e internacionais, diárias e outras despesas que são ressarcidas, como taxa de seguros
Governo Lula 3 gasta mais de R$ 7,35 bilhões em viagens a serviço (Foto/Ricardo Stuckert/PR)
Em pouco mais de três anos e se aproximando do último semestre, o governo Lula 3, como é chamada a terceira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já superou a cifra de R$ 7,35 bilhões gastos em viagens a serviço. O total soma o pagamento de passagens aéreas nacionais e internacionais, diárias e outras despesas que são restituídas, como taxa de agências e seguros.
Os dados constam no Portal da Transparência e abrangem viagens feitas a trabalho por servidores públicos, e não as realizadas pelo presidente da República - que viaja em aeronave operada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e usa esse tipo de deslocamento para, por exemplo, fortalecer a relação diplomática do Brasil com outras nações.
O total considera as despesas desde que Lula tomou posse para este terceiro governo. Em 2023, primeiro ano de sua terceira gestão, os gastos foram de R$ 2,29 bilhões. Os valores seguiram em patamar semelhante em 2024 (R$ 2,38 bilhões) e 2025 (R$ 2,46 bilhões). Nos quatro primeiros meses de 2026, a cifra está em R$ 233,71 milhões para as viagens já encerradas no sistema federal.
A maior despesa foi com o pagamento de diárias - R$ 4,26 bilhões no período. A emissão de passagens somou R$ 2,1 bilhões. Os gastos com viagens nacionais também foram maiores, de R$ 4,42 bilhões. Já a ida de servidores para outros países custou aproximadamente R$ 2,93 bilhões.
No Brasil, teve maior número de compras a rota Brasília-Rio de Janeiro, e vice-versa - foram mais de 104 mil passagens compradas. A passagem de maior valor nesse trecho custou R$ R$ 9.958,95. O trecho Brasília-São Paulo, assim como a rota contrária, ganhou o segundo lugar - com mais de 88 mil passagens emitidas. Nessa rota ida e volta, o maior valor pago por bilhete foi de R$ R$ 13.397,12.
Já as rotas internacionais mais usadas saíram de Brasília para, por exemplo, Lisboa (Portugal), Washington (Estados Unidos) e Genebra (Suíça). Para o exterior, o maior valor pago foi para a capital dos EUA, com o custo de R$ R$ 85.466,32, de acordo com o Portal da Transparência.
As viagens foram pagas por diferentes órgãos do governo, mas os que mais tiveram esse tipo de demanda foram os Ministérios da Justiça, Educação, Defesa, Gestão, Fazenda e Meio Ambiente.
Comparado a governos anteriores, a gestão Lula 3 é a que mais registra despesas com viagens a serviço. Entre 2019 e 2022, quando o presidente era Jair Bolsonaro (PL), os gastos somaram R$ 4,15 bilhões. O período, porém, contou com a redução significativa de deslocamentos em todo o mundo por conta de restrições para controlar a pandemia de Covid-19, o que resultou em queda desse tipo de despesa.
Já entre os anos 2015 e 2018, quando os governantes foram Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), os gastos com viagens governamentais foram de R$ 5 bilhões. As cifras não contam com atualização por índices econômicos pelo período, como a inflação.
A reportagem pediu posicionamento do Palácio do Planalto, na figura do governo federal, sobre o levantamento. Uma manifestação será acrescentada ao texto tão logo for recebida.
Veja abaixo os gastos com viagens a serviço a cada ano desde 2015, considerando a soma de passagens, diárias e outras despesas ressarcidas:
Fonte: O Tempo.