COMPORTAMENTO DIGITAL

Hábito de usar o celular diante da TV já impacta o cinema

Uso do celular enquanto se assiste à TV fragmenta a atenção, impacta a compreensão do público e já influencia decisões na indústria audiovisual

Publicado em 18/03/2026 às 14:12
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Uso do celular enquanto se assiste à TV cresce e contribui para a fragmentação da atenção dos espectadores (Foto/Divulgação)

Uso do celular enquanto se assiste à TV cresce e contribui para a fragmentação da atenção dos espectadores (Foto/Divulgação)

Um levantamento global da GWI, empresa especializada em pesquisa de marketing, aponta que ao menos 8 em cada 10 pessoas utilizam o celular enquanto assistem televisão, prática conhecida como “segunda tela”. O comportamento tem se intensificado e contribui para a fragmentação da atenção dos espectadores.

Segundo o estudo, metade dos entrevistados afirma aproveitar o tempo diante da TV para enviar mensagens ou e-mails. Outros 35% dizem jogar no celular enquanto acompanham filmes ou séries, indicando que não se trata apenas de consultas rápidas, mas de atividades simultâneas que competem diretamente pela atenção.

Os efeitos desse hábito também envolvem o funcionamento do cérebro. A alternância constante entre telas está associada à liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa. Cada nova interação nas redes sociais estimula esse mecanismo, o que pode tornar o comportamento viciante e dificultar a concentração em conteúdos mais longos.

Especialistas destacam que, ao contrário da ideia de multitarefa, o cérebro não divide a atenção, mas alterna rapidamente entre atividades. Esse processo compromete a absorção, a reflexão e o entendimento do conteúdo, resultando em uma experiência mais superficial.

A influência da “segunda tela” já começa a ser percebida também na indústria audiovisual. Há indícios de que plataformas de streaming estariam incentivando roteiros mais simples e explicativos, com personagens reforçando ações e informações para facilitar o acompanhamento por parte de um público menos focado.

Esse movimento preocupa especialistas, que apontam um possível empobrecimento das narrativas e redução de elementos que estimulam maior engajamento e reflexão.

Em 2025, filmes indicados ao Oscar, como “Sonhos de Trem” e “Hamnet”, receberam críticas de parte do público por apresentarem ritmo mais lento, o que evidencia uma diminuição na tolerância a histórias mais contemplativas.

Para minimizar os impactos, psicólogos recomendam práticas como o “detox digital” e o retorno a atividades que exigem concentração contínua, como a leitura. Livros físicos, por oferecerem menos estímulos, ajudam a fortalecer o foco, habilidade prejudicada pelo excesso de telas e informações.

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