Um homem morreu nos Estados Unidos após contrair raiva por meio de um transplante de rim recebido de um doador cuja infecção não havia sido diagnosticada. O caso ocorreu em janeiro de 2025 e foi considerado extremamente raro pelas autoridades de saúde americanas.

Barney Kurowicki morreu em 2025 após contrair raiva em transplante de rim (Foto/Reprodução)
O doador era James Martin, de 59 anos, morador do estado de Idaho, e as informações foram trazidas por O Globo. A suspeita é que ele tenha contraído o vírus após ser arranhado por um gambá enquanto tentava proteger um filhote de gato em sua propriedade rural. Como acreditava não ter sido mordido pelo animal, ele não procurou atendimento médico.
Cerca de seis semanas depois, Martin passou a apresentar sintomas neurológicos, como confusão mental, alucinações e dificuldade para engolir. O quadro teria se agravado rapidamente, levando-o ao coma e, posteriormente, à morte cerebral.
Após o falecimento, seus órgãos e tecidos foram destinados a transplantes. Um dos receptores foi Barney Kurowicki, de 76 anos, que recebeu um rim. Algumas semanas após o procedimento, ele começou a apresentar sintomas como tremores, fraqueza, confusão mental e hidrofobia, característica clássica da raiva. Exames realizados posteriormente confirmaram a infecção, e o paciente morreu poucos dias depois.
Mais pessoas receberam tecidos do mesmo doador
A investigação conduzida pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) revelaram posteriormente que outras três pessoas também receberam tecidos provenientes do mesmo doador. Os pacientes passaram por transplantes de córnea e receberam tratamento preventivo após a descoberta da infecção.
Os outros três pacientes que receberam córneas do mesmo doador tiveram os tecidos removidos e receberam profilaxia pós-exposição, tratamento utilizado para impedir o desenvolvimento da doença. Nenhum deles apresentou sintomas.
Dados citados pelo jornal apontam ainda que esta foi apenas a quarta transmissão de raiva por transplante de órgãos ou tecidos registrada nos Estados Unidos desde 1978.
O episódio levou autoridades sanitárias a discutirem possíveis mudanças nos protocolos de avaliação de doadores, especialmente em casos que envolvam contato recente com animais silvestres potencialmente transmissores da doença.
Apesar do incidente, as autoridades de saúde ressaltaram que transplantes continuam sendo considerados procedimentos seguros e que episódios semelhantes são excepcionalmente raros.
Fonte: O Tempo