Pessoas em Mariana ainda sofrem com doenças de pele e respiratórias por contaminação por metais pesados
Corpo de Bombeiros de MG/Divulgação
As tragédias causadas pelos rompimentos de barragens não trazem apenas danos ambientais. Famílias que foram atingidas nem sempre recebem auxílio para reconstruírem as suas vidas e muitos inda sofrem com problemas de saúde, causados pelo contato com metais pesados.
Em Brumadinho, médicos alertam para o risco de infecções, contaminações e, num futuro próximo, até de câncer e doenças autoimunes.
A exposição a elementos químicos pode ser altamente prejudicial à saúde. Especialistas alertam que a qualidade da água dos rios e dos peixes precisam ser monitorados e a população da região precisa ser acompanhada. Daqui a dez anos podem surgir casos de câncer e de doenças autoimunes.
Barragens muito antigas podem ter elementos altamente tóxicos. Os rejeito de mineração podem conter óxido de ferro, amônia, muita sílica, silte, argila, além de mercúrio e arsênio.
A Vale está fazendo uma análise laboratorial do rejeito para saber se o material representa risco para a saúde. O laudo deve ficar pronto em até 15 dias. O coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flavio Godinho, chegou a dizer à imprensa que alguns bombeiros tiveram intoxicação por causa do contato com a lama em Brumadinho. Mas o Corpo de Bombeiros explicou que os militares estão tomando medicamentos para minimizar os efeitos do contato com material orgânico.
Mariana
Em março de 2018, pouco mais de dois anos depois do rompimento da barragem de Fundão em Bento Rodrigues, 11 moradores da cidade mineira de Barra Longa, que está a 60 km de onde aconteceu o desastre em Mariana, descobriram que estavam contaminados por metais pesados. Todos eles estavam intoxicados por níquel e metade tinha níveis de arsênico no sangue acima do normal. A maioria tinha problemas de pele e dificuldade para respirar.
Segundo o G1, a fundação criada pela mineradora Samarco para tratar da reparação dos danos sociais e ambientais do rompimento da barragem oferece auxílio financeiro esporádico e consultas com médicos especialistas para parte dos que comprovadamente estão contaminados. Outros até hoje não recebem assistência por parte da fundação.