Encontros serão destinados a 30 famílias que passam por processos de separação, de alienação parental e disputa da guarda de filhos, além de regulamentação de visitas
Ministério Público vai promover oficinas de parentalidade em Uberaba. O projeto, recomendado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é uma política pública de prevenção e solução de conflitos familiares. Na comarca, está sendo encampado pela promotora Miralda Dias Dourado Lavour, titular da 8ª Promotoria de Justiça da Família, em parceria com Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), através do Departamento de Medicina Social.
De acordo com ela, as oficinas são direcionadas àquelas famílias envolvidas em ações judiciais como divórcio ou rompimento de união estável que tramitam na Justiça. É destinada ao casal, em processo de rompimento, e aos filhos – de 6 a 17 anos. Também pode abranger famílias que movem ações de alienação parental (quando um dos envolvidos na separação constrói postura do filho contrária ao outro) e guarda de filhos ou regulamentação de visitas. “É um instrumento que tem a finalidade de ajudar as famílias no momento do divórcio. Objetivo é prevenir a alienação parental e minimizar os conflitos familiares”, informa. Os convites para os participantes serão feitos pelos juízes ao despachar nos processos, sendo a oficina realizada antes da audiência de conciliação.
As sessões, que têm duração média de quatro horas, contam com participação de psicólogos, assistentes sociais, pedagogos - que receberam capacitação especifica para o projeto -, além de juízes e promotores. “O ex-casal é separado em grupos mistos, composto por homens e mulheres, e nos quais abordamos os efeitos que os conflitos podem acarretar aos filhos, sendo exibidos diversos vídeos com situações reais”, explica Miralda.
A capacitação destas pessoas, que atuarão de forma voluntária nas oficinas, começou neste fim de semana na UFTM. “A partir da capacitação, os instrutores vão oferecer aos membros destas famílias o suporte necessário para a que parentalidade não se perca, embora exista uma separação. Trabalharão para minimizar os conflitos familiares e, ainda, prevenir o abandono de uma figura e evitar a alienação parental, melhorando o bem-estar de todos”, reforça a promotora. Ela destaca que o processo de separação é muito difícil para os membros da família. “As pessoas estão geralmente fragilizadas e abaladas psicologicamente. Queremos mostrar as melhores condutas para trabalhar toda esta situação”, afirma.
Em Uberaba, o projeto terá início no dia 1º de novembro, tendo como perspectiva a participação de trinta famílias. A partir daí as oficinas de parentalidade ocorrerão a cada quinze dias.