DESVALORIZADOS

Motoristas de aplicativo no Triângulo ganham 71% menos por hora que na Grande BH

Levantamento aponta lucro médio de R$ 9,36 por hora na região, contra R$ 16,05 na Região Metropolitana de Belo Horizonte

Joanna Prata
Publicado em 14/05/2026 às 11:01
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Em um cenário em que milhares de trabalhadores buscam autonomia e renda no transporte por aplicativo, a localização tem pesado diretamente no bolso dos motoristas mineiros. Levantamento da plataforma GigU – aplicativo que calcula a rentabilidade de corridas em tempo real – aponta que profissionais do Triângulo Mineiro recebem, em média, R$ 9,36 por hora trabalhada, enquanto na Região Metropolitana de Belo Horizonte o lucro chega a R$ 16,05, diferença de 71% entre capital e interior. 

Na prática, a desigualdade representa cerca de R$ 1,3 mil a menos por mês para quem trabalha no interior, considerando uma jornada de 200 horas mensais. O estudo também mostra que a margem líquida dos motoristas do Triângulo Mineiro é até 11 pontos percentuais inferior à registrada na RMBH. 

Segundo o CEO e cofundador da GigU, Luiz Gustavo Neves, regiões metropolitanas concentram maior volume de corridas, tarifas dinâmicas mais frequentes e categorias premium, como Comfort e Black, fatores que aumentam o rendimento médio dos motoristas. Além disso, a densidade urbana reduz o tempo parado entre uma viagem e outra. 

O levantamento destaca ainda que, apesar de cidades do interior apresentarem custos operacionais menores, como combustível e manutenção, a diferença não é suficiente para equilibrar os ganhos. A realidade é semelhante à relatada por motoristas de Uberaba, que em abril participaram de manifestação nacional contra o Projeto de Lei 152/2025, cobrando remuneração mínima por corrida, limite para taxas das plataformas e mais transparência nos aplicativos.  

Dados da Pnad Contínua, divulgados pelo IBGE, também mostram os desafios da categoria. Em 2024, trabalhadores de aplicativos tiveram rendimento médio de R$ 15,40 por hora, abaixo da média dos profissionais não plataformizados. Em contrapartida, os motoristas e entregadores trabalham mais horas por semana e ainda apresentam baixa contribuição à Previdência Social, cenário que reforça o debate sobre regulamentação e condições de trabalho no setor.

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