MPF Investiga Irregularidades em Contratos Milionários de Universidade Federal de Lavras

Publicado em 16/12/2024 às 08:04
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 (Foto: UFLA/ Divulgação)

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O Ministério Público Federal (MPF) está apurando irregularidades em contratos de aproximadamente R$ 46 milhões, firmados pela Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (Fundecc), vinculada à Universidade Federal de Lavras (UFLA), localizada no Sul de Minas Gerais. A investigação ocorre em sigilo, enquanto uma auditoria interna da própria universidade também aponta possíveis fraudes, principalmente durante a gestão do atual reitor, José Roberto Soares Scolforo. Ele já é réu em um processo de improbidade administrativa, iniciado em 2014, por supostas fraudes em licitações anteriores à sua reitoria.

Suspeitas de Fraude em Licitações e Contratos

De acordo com o parecer da Procuradoria, as irregularidades podem ter ocorrido devido a vínculos entre a UFLA, a Fundecc e empresas contratadas, cujos sócios tinham ligações com a universidade. As licitações para esses contratos não eram amplamente divulgadas, e as pesquisas de preços eram feitas com as mesmas empresas que acabavam sendo contratadas. Além disso, investigações apontam que a Fundecc subcontratava todo o serviço, o que levanta dúvidas sobre a legalidade e a execução correta dos projetos.

Entre os envolvidos, está o empresário Samuel Rodrigues, que teve empresas contratadas pela Fundecc de 2014 a 2020. Ele possui vínculo com a UFLA desde 2009 e, durante a gestão de Scolforo, foi gerente de uma entidade ligada à universidade, a Agência Zetta. O reitor também foi orientador de mestrado de Rodrigues. A auditoria interna da universidade aponta que, assim como no processo de 2014, as licitações podem ter sido manipuladas para favorecer determinados empresários.

Movimentações Imobiliárias da Família do Reitor

Nos últimos dois anos, a família de Scolforo movimentou cerca de R$ 4,7 milhões em transações imobiliárias em Lavras. Entre as propriedades adquiridas, destacam-se 11 apartamentos em um mesmo condomínio, avaliados em R$ 3,4 milhões, além de um sítio de 63 hectares adquirido por R$ 506 mil. Parte dessas aquisições foi feita em nome de seus filhos, incluindo Roberta Scolforo, professora da faculdade de medicina da UFLA. Outra parte foi realizada por meio de uma holding familiar, a Zamperetti, ligada à esposa e ao filho de Scolforo, Henrique.

Histórico de Scolforo e da UFLA

José Roberto Soares Scolforo foi reitor da UFLA de 2012 a 2020, sendo reeleito este ano. Após sua reitoria, atuou como vice-reitor até 2021. Sua gestão na universidade sempre foi marcada por projetos relevantes, mas também por controvérsias, como o processo de improbidade administrativa que ainda está em andamento desde 2014, relacionado a fraudes em licitações de um convênio com o governo de Minas Gerais, no valor de R$ 6,5 milhões.

Em relação aos contratos investigados, a universidade se manifestou afirmando que a Fundecc segue todas as normas legais e que os contratos e convênios firmados são submetidos a auditorias internas e externas para garantir a transparência e legalidade. No entanto, a reitoria não se pronunciou diretamente sobre as acusações, e o reitor não atendeu as tentativas de contato da reportagem.

A Fundecc e o Papel da Universidade

A Fundecc, que tem como missão apoiar a execução de projetos da UFLA, tem sido alvo de investigações relacionadas a suspeitas de manipulação de licitações e contratos. A fundação foi responsável por iniciativas com importantes parceiros como a mineradora Vale e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. A universidade destacou, em nota, que o sigilo das apurações é necessário para preservar a integridade das investigações e garantir o direito de defesa dos envolvidos.

A UFLA: Reconhecimento e Ensino de Excelência

Fundada em 1963, a UFLA é uma das principais instituições de ensino superior de Minas Gerais, destacando-se pela qualidade do ensino e pesquisa, especialmente nas áreas de ciências agrárias. A universidade conta com mais de 9.300 alunos e ocupa a 4ª posição no estado e a 26ª no Brasil no ranking do RUF. Seu curso de Agronomia é considerado o terceiro melhor do país.

A investigação do MPF e as auditorias internas da UFLA são fundamentais para garantir a transparência e a legalidade nos processos da instituição, em meio a graves acusações envolvendo o reitor e a fundação vinculada à universidade. O caso segue sendo acompanhado de perto pelas autoridades, que buscam esclarecer as possíveis irregularidades e responsabilizar os envolvidos.

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